Escreva para expressar, não para impressionar.

Estrutura Narrativa

Por Diego Schutt em 12/02/2020 Tópicos: Escrever Ficção, Técnicas
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Estrutura é a forma como o escritor organiza as informações sobre diferentes ingredientes da história para criar uma experiência de leitura e expressar suas ideias e pensamentos sobre um tema.

Estrutura não é o mesmo que enredo. Muitas histórias usam estruturas similares, mas têm enredos completamente diferentes. Existe estrutura melhor ou pior? Não. Tudo depende da intenção do escritor, do que ele deseja expressar com sua história.

Antiestrutura

Um texto que usa Antiestrutura se caracteriza pela ausência de uma formatação intencional e uma despreocupação com coerência, causalidade ou linearidade. O texto transita pelo tempo e o espaço narrativo sem se ater à cronologia dos eventos ou a temáticas específicas. Os eventos podem ter sua ordem invertida ou ser apresentados paralelamente de forma que, ao se entrecortar, sugerem novos significados e interpretações. São narrativas menos interessadas em contar uma história, mais focadas na expressão artística e na experimentação com a produção de sentido.

Estrutura Minimalista

Um texto que usa a estrutura Minimalista foca na apresentação de um ou mais episódios da vida de um ou mais protagonistas e na investigação de conflitos psicológicos. Muitas vezes, os desejos e motivações dos personagens são apenas sugerido, ficando a cargo do leitor interpretar sua importância e significado a partir de detalhes e simbologias oferecidos ao longo do texto. São narrativas mais preocupadas em revelar diferentes dimensões dos personagens, focando mais nas suas experiências subjetivas do que em sequências de situações e acontecimentos concretos.

Estrutura de Arco Dramático

Um texto que usa a estrutura de Arco Dramático foca na criação de situações e acontecimentos concretos que colocam um protagonista sob pressão, forçando o personagem a assumir um papel ativo na resolução de conflitos e obstáculos primordialmente externos. Os acontecimentos do enredo são conectados por uma relação de causa e consequência, seguem uma cronologia narrativa linear e culminam com algum tipo de transformação do personagem no final da história.

A estrutura narrativa de arco dramático é considerada clássica por representar a forma universal como a mente humana processa informações para preservar nossa integridade física e psicológica e, por isso, ela é a estrutura mais usada em histórias com a ambição de envolver o maior número de pessoas possível. Do ponto de vista biológico e instintivo do ser humano, a vida é uma batalha constante contra os pequenos e grandes obstáculos que impedem a realização dos nossos desejos mais básicos aos mais complexos. 

Histórias estruturadas ao redor de um arco dramático são criadas com base na tentativa de um protagonista de resolver ou lidar com um conflito que o impede de alcançar um desejo. No final desse tipo de texto, as experiências vividas ao longo do enredo e cada ação e decisão do protagonista podem resultar na mudança das circunstâncias externas da vida do protagonista (arco dramático) ou podem também transformar a forma como ele pensa, age e vive (arco do personagem).

Se você costuma escrever sem grandes preocupações com a estrutura do texto e não consegue desenvolver ou terminar suas histórias, suas narrativas possivelmente não estão estruturadas ao redor do arco dramático de um protagonista. Se você quer contar histórias, experimentalismos literários ou decisões estruturais que se afastam da estrutura clássica devem ser escolhas conscientes que têm como objetivo alcançar um certo efeito ou provocar certa reação. 

No storytelling contemporâneo, é comum a mistura das estruturas de arco dramático e minimalistas, o que resulta em histórias que dão importância tanto para o desenvolvimento do enredo quanto para desenvolvimento dos personagens. 

Se você quer escrever textos usando antiestrutura, esqueça tudo o que foi dito até aqui e simplesmente escreva e edite sua narrativa seguindo sua intuição e sensibilidade artística. 

Diante da natureza subjetiva e abstrata de textos que usam somente estrutura minimalista, se torna difícil a criação de modelos teóricos que deem conta de oferecer uma perspectiva para quem deseja escrever esse tipo de texto. Não é a toa que os grandes pensadores do storytelling focaram seus esforços na estrutura de arco dramático.

A decisão sobre que estrutura usar em uma história é consciente? Nem sempre.

Muitas vezes começamos a escrever e, só depois que terminamos um primeiro rascunho, conseguimos identificar o que estamos tentando expressar com nosso texto. A partir disso, podemos avaliar como as convenções de cada uma das estruturas acima podem nos ajudar a fazer isso de uma forma mais envolvente.

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Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 10 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

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