Escreva para expressar, não para impressionar.

Um calendário para lembrar você de escrever perigosamente

Por Diego Schutt em 16/12/2019 Tópicos: Dicas, Escrever Ficção, Inspiração, Ser Escritor
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Escrever com confiança não é escrever com facilidade, mas sim com a consciência que a escrita é um processo criativo com diversas etapas. Inspiração não é uma das etapas.

Para ajudar você a desenvolver confiança para escrever, criei o Calendário do Escritor, uma ferramenta que venho oferecendo gratuitamente há 6 anos para incentivar o desenvolvimento do hábito da escrita independente de inspiração.

Para aprender a usar o calendário, clique aqui.

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Abaixo, algumas reflexões sobre escrever perigosamente.

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Há uns anos atrás, um grupo de amigos me convenceu a fazer canyoning. Basicamente, você vai para o meio do mato, pula do alto de cachoeiras, nada em rios, faz rapel nas paredes de montanhas e mais outras loucuras que elevam a dose de adrenalina no sangue. É um esporte perigoso.

A empresa organizadora da atividade deu para todo mundo uma cópia do contrato que a isentava de qualquer responsabilidade em caso de acidente ou morte. Com uma caneta na mão pairando sobre a linha onde deveria assinar, eu pensava se queria mesmo fazer aquilo. Um dos guias veio me assegurar que não importava se eu nunca tinha feito nada parecido antes, que não era tão difícil assim, que eu iria me divertir.

Se você não me conhece, precisa entender que não sou dessas pessoas que adoram o mato e curtem esportes radicais. Sou o tipo que prefere um cocktail na beira da piscina.

No espírito de sair da minha zona de conforto, de fazer algo que eu normalmente não faria, assinei o contrato.

Sim, sou eu, odiando cada segundo.

Em função das chuvas fortes no dia anterior, as trilhas de dificuldade fácil e moderada estavam fechadas e um dos guias anunciou que nosso grupo receberia um upgrade gratuito para a trilha mais difícil. Mas que ninguém se preocupasse porque era quase a mesma coisa, mais um pulinho aqui, uma cachoeirinha extra ali, super tranquilo.

O que se sucedeu foram duas horas e meia de ansiedade extrema. A foto ao lado (ou acima se você está lendo no telefone) é um exemplo de uma das atividades “mais fáceis” da aventura. Um pensamento não saía da minha cabeça: se eu morrer aqui ou mesmo se “apenas” quebrar uma perna, vai ter valido a pena? A resposta para mim era clara: absolutamente não.

Lembrei dessa história e fiquei pensando nos riscos que acredito valerem a pena, apesar da ansiedade que me causam. Um deles é a escrita.

Riscos para nossa integridade física são bastante óbvios e respeitados. Não é a toa que quando conto dessa aventura fazendo canyoning, muitas pessoas dizem “nossa, que coragem a sua”. Em comparação, pode parecer forçado pensar na escrita como uma atividade arriscada.

Mas cada vez que você escreve um texto, está assumindo uma série de riscos. 

O risco de não ser lido por ninguém, de seu texto ser interpretado da forma oposta como você gostaria, de expor suas vulnerabilidades, de virar motivo de deboche e ser ridicularizada(o), de ter o ego machucado, de se sentir ainda mais sozinha(o) e incompreendida(o), de se descobrir pouco original, de investir horas, dias, meses ou anos trabalhando em um texto que talvez não chegue nem perto de expressar a complexidade que você reconhece na sua ideia.

É claro que escrever um email de trabalho representa riscos muito menores do que escrever um romance. A escrita criativa é muito mais perigosa e, por isso, acredito que o amadurecimento de toda escritora e escritor está diretamente relacionado aos riscos que cada pessoa está disposta a assumir quando escreve.

O escritor Tom Spanbauer fala sobre escrever perigosamente como a busca por um lugar escondido dentro de você, um lugar que serve como repositório das suas sensibilidades, aspirações, dores, fragilidades, vergonhas, angústias e medos. Spanbauer incentiva quem escreve a buscar esse lugar, a investigá-lo e a escrever de lá.

Uma das minhas ambições como escritor é seguir visitando esse lugar dentro de mim com cada vez mais coragem para compartilhar o que encontrei.

Esse é o tipo de risco que, para mim, transforma adrenalina em excitação.

Respeito e admiro você que, apesar dos riscos, da ansiedade e da incerteza inerentes a todo processo de criação, segue mergulhando dentro de si em busca desse lugar com a intenção de encontrar algo de valor para compartilhar com o mundo.

Feliz ano novo e obrigado por seguir acompanhando o Ficção em Tópicos.

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Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 10 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

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