Escreva para expressar, não para impressionar.

A única regra universal para escrever bem: não seja chato

Por Diego Schutt em 02/10/2018 Tópicos: Escrever Ficção, Inspiração, Ser Escritor
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Crédito foto: Julian Howard no Unsplash

Muitas pessoas confundem regras de escrita com técnicas de escrita. Eis a diferença. Regras prescrevem princípios que você deve obedecer para alcançar um objetivo. Técnicas sugerem métodos que podem ajudar você a alcançar um objetivo.

Uma regra dita “Histórias precisam de uma trama eletrizante para prender a atenção do leitor”, enquanto uma técnica sugere “Como estruturar o enredo para que a trama da história desperte a curiosidade do leitor”. É um diferença sutil, mas muito importante. Regras determinam como você deve escrever. Técnicas revelam possíveis formas de escrever para se criar uma certa experiência de leitura.

O Ficção em Tópicos está focado em compartilhar técnicas de escrita, ou seja, ferramentas que, direta ou indiretamente, ajudem você a aperfeiçoar as histórias que deseja contar.

Acredito em uma única regra para escrever bem: não seja chato. 

O que eu considero chato é possivelmente diferente do que você considera chato. Ainda assim, chatice segue alguns princípios básicos que, se você fizer um esforço para contorná-los, terá chances maiores de escrever textos mais interessantes.

O vídeo “How not to be boring” (“Como não ser chato”) da The School of Life (disponível no final do artigo) defende a ideia de que ninguém é chato por natureza mas, às vezes, parecemos chatos para outras pessoas. Isso é resultado da falta de autoconhecimento ou da falta de habilidade para expressar quem verdadeiramente somos.

Todo ser humano é inerentemente interessante. A vida de cada pessoa é uma combinação original, única e complexa de experiências que ninguém jamais viveu e ninguém jamais viverá. O que faz uma pessoa ser considerada chata é sua incapacidade ou falta de coragem para compartilhar com sinceridade e personalidade a forma particular como ela enxerga e experimenta o mundo, o que a excita, quais são suas ambições, do que tem inveja, do que se arrepende, quais são seus sonhos e seus medos.

Não é por acaso que uma conversa com uma criança de cinco anos pode ser muito mais interessante do que uma conversa com um adulto de cinquenta. A incapacidade da criança de censurar seus pensamentos e filtrar suas palavras permitem que ela revele o que realmente pensa e sente. Crianças são leais ao conteúdo de suas mentes. Compartilhar o que lhes parece verdade é, para elas, instintivamente mais importante do que ser social.

A criança curiosa e interessante começa a se transformar em um adulto chato e desinteressante quando surge o desejo de ser reconhecida como “normal”. Esse desejo de pertencer e ser como todo mundo é comum e natural. Quem tem aspirações artísticas, entretanto, incluindo escritores, precisa reaprender a olhar para o mundo com essa curiosidade infantil.

Fazer arte nada mais é do que olhar para o ordinário de uma forma diferente. Artistas conseguem interrogar suas percepções de uma forma clara e honesta. Muitas vezes, a originalidade de certas ideias está, simplesmente, na sinceridade crua e na contemplação sensível do artista para expressar seus pensamentos e ideias.

A combinação do olhar autêntico de uma criança com a habilidade de se expressar com beleza, precisão e clareza de um adulto é um antídoto poderoso contra chatice.

Uma pessoa interessante não é necessariamente alguém que teve experiências extravagantes. Primordialmente, é alguém que aprendeu a prestar atenção aos movimentos sutis dos seus pensamentos e emoções e, portanto, consegue transformar em histórias as fantasias vívidas, as percepções elaboradas e as aventuras excitantes que povoam a sua mente.

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Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 8 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

Um escritor tem algo a dizer sobre este texto

  1. fabio seca 11/10/2018

    Meu nome é Fabio Seca, sou jovem escritor, estou acabando meu primeiro capitulo, e o importante é não ser chato não escrever novela e sim um romance, acredito nas oficinas com outros escritores e em ficção em tópicos. Obrigado!

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