Escreva para expressar, não para impressionar.

5 dicas para escritores inspiradas em Neil Gaiman

Por Diego Schutt em 16/05/2018 Tópicos: Começar a Escrever, Escrever Ficção
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Neil Gaiman é um escritor inglês, conhecido por livros como “Coraline” (que foi adaptado para um filme) e “Deuses Americanos” (que foi adaptado para uma série de tv). 

O vídeo disponível no final do artigo (áudio em inglês) é um compilado de trechos de entrevistas de Neil Gaima com várias dicas para quem quer ser escritor. Abaixo, minhas reflexões sobre algumas ideias que surgiram escutando ele falar sobre seu processo de criação e os desafios de ser escritor.

1. Curiosidade é seu melhor guia

Decidir sobre o que escrever motivado por ganhar dinheiro condiciona você a medir seu sucesso pelo retorno financeiro que um livro lhe traz. Nesse caso, se um livro não vende bem, você perdeu seu tempo. Ao invés disso, escreva sobre temas que deixam você entusiasmado com a ideia de explorá-los em profundidade. Se você escreve guiado pela curiosidade de descobrir o que pensa sobre um assunto, você nunca terá a sensação de ter perdido tempo.

2. Amplie seu repertório

Não se limite a escrever somente nos gêneros que você tem facilidade. Se você apenas escreve contos, experimente escrever uma novela. Escreve apenas terror? Experimente escrever comédia. Escreva e desapegue. Repita. Crie vários projetos experimentais. Nem tudo vai dar certo, mas esse não é o ponto. A ideia é ampliar seu repertório técnico, temático e estilístico, e entender seu processo de criação cada vez melhor.

3. Técnicas não são pontos de partida

Quando você começa uma carreira nas artes, você não tem ideia do que está fazendo e isso é ótimo. Não se preocupe com regras e técnicas nesse primeiro momento. Palavras para um escritor são como tintas para um pintor. Elas são a matéria-prima que permitem a ao artista concretizar o que existe apenas em suas mentes. Depois desse período inicial de experimentação livre e despreocupada, se você identificar diferenças entre o que você deseja expressar e o que aparece no texto, considere a perspectiva técnica para contemplar formas de repensar e refinar a narrativa.

4. A história precisa surpreender o escritor

Por mais que você tenha arquitetado sua história e estruturado o enredo, você só vai entender todo o potencial da sua história quando começar a escrever. Se um texto fica exatamente como você planejou, isso pode ser um mau sinal. Ao longo do processo de criação, algum aspecto da história precisa se transformar e surpreender o próprio escritor. Se você não descobriu nada de novo sobre o que está escrevendo, pode ter certeza que seu texto pode ficar melhor.

5. Desafie o senso comum

Não se contente em escrever textos inofensivos que repetem o que é senso comum. Se você quer ter uma carreira como escritor, tenha como ambição fazer arte. Olhe sem medo para dentro de você e identifique formas de pensar e sentir que vão de encontro ao que é senso comum. A matéria-prima das melhores histórias não são ideias que um grande número de pessoas acredita ser verdade, mas sim ideias que revelam novas formas de olhar para algo que ninguém questiona.

Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 8 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

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