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O filme Tropa de Elite e o papel do herói nas histórias de ficção e na construção de um país.

Por Diego Schutt em 13/01/2011 Tópicos: Dicas
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Os heróis nos filmes são modelos de coragem, exemplos de moral e ética. Eles agem em nome do que é certo. Sacrificam seus interesses individuais para alcançar algo que beneficie a sociedade como um todo.

O tenente-coronel Roberto Nascimento do filme Tropa de Elite virou um herói brasileiro.

É nosso super-homem de metralhadora. Seu superpoder é usar o jeitinho brasileiro para o bem.

Para ele, em tempos de guerra, os fins justificam os meios e, por isso, na guerra contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, vale torturar, espancar e atirar se o cara é traficante, trabalha para o traficante, conhece o traficante ou se mora perto do traficante.

O personagem começa o primeiro Tropa de Elite já querendo sair da linha de frente do batalhão de operações especiais. Não porque não quer se sacrificar para acabar com o círculo vicioso de corrupção e violência no Rio de Janeiro. É visível seu desejo por justiça e paz. O que motiva sua saída é a primeira gravidez da sua mulher.

Seu principal objetivo no filme é arrumar alguém para substituí-lo. O novo herói brasileiro mal aparece na tela e já quer passar adiante suas responsabilidades para “salvar” sua família, uma metáfora de um comportamento comum no país.

No Tropa de Elite 2, o filme brasileiro mais visto da história, o Nascimento vira subsecretário da Secretaria de Segurança e Inteligência do estado. Troca o corpo a corpo com os traficantes pela rotina de um departamento tomado por pessoas preocupadas exclusivamente com a manutenção de seu poder político.

Percebeu que seu inimigo não estava só nas favelas. Estava também sentado na mesa ao lado, de camisa e gravata. Seu desejo agora é lutar contra o sistema de articulações de interesses políticos que alimenta a corrupção.

Nesse segundo filme, o personagem aprende uma lição importante: um herói precisa saber quem são seus verdadeiros inimigos.

É fácil e comum simplificar e concluir que o problema está no cara que assalta ou vende a droga, quando essas situações são apenas sintomas de um narcisismo social. Reina a moral e a ética do cada um por si. Cada um que se vire. E cada classe social se vira como pode.

Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 oferecem uma representação perturbadora do clima de cada um por si que um sistema de segurança e governança desacreditados cria, tanto para os policiais e políticos quanto para os cidadãos.

Os policiais e políticos – desacreditados, desmoralizados e desrespeitados – entram no esquema tanto pelos benefícios quanto por uma questão de sobrevivência.

Os cidadãos – amedrontados, revoltados e desesperançados – usam seus recursos pessoais para se proteger e se beneficiar das falhas e da flexibilidade do sistema.

No final, todos saem ganhando no curto prazo e todos saem perdendo no longo prazo.

Uma pergunta inevitável surge ao final de ambos os filmes: tudo aquilo é ficção ou realidade?

A verdade é que cada um responde essa pergunta todos os dias com suas atitudes, com a prática de seus valores morais, com os pequenos sacrifícios que faz em benefício da construção de um país melhor.

Para que a realidade do Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 seja classificada sem dificuldade como ficção em um futuro próximo, precisamos acreditar que todos nós podemos ser heróis nacionais se estivermos dispostos a assumir a responsabilidade pela construção de uma história com um final mais feliz para as futuras gerações brasileiras.

Você assistiu ao Tropa de Elite e ao Tropa de Elite 2? Você considera o tenente-coronel Nascimento um herói?

Assista abaixo ao trailler do Tropa de Elite.

Assista abaixo ao trailler do Tropa de Elite 2.

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Um escritor tem algo a dizer sobre este texto

  1. Lucas de Lima dos Santos 25/02/2013

    Muito bom tópico, bastante esclarecedor sobre o assunto.

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