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O dia a dia de artistas e profissionais criativos

Por Steven Pressfield em 24/05/2018 Tópicos: Escrever Ficção, Inspiração
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A imagem acima usa o ícone “Surveillance Camera” criado por Vyacheslav Doroshenko do Noun Project.

Eu estava lendo um artigo sobre Twyla Tharp, a renomada dançarina e coreógrafa de “Push Comes to Shove” e muito mais, e autora de “The Creative Habit: Learn It and Use It For Life”.

O artigo dizia que, todas os dias, Twyla sai às seis da manhã do seu prédio em Nova York e pega um táxi para seu estúdio de dança, onde ela começa seu dia de trabalho. Eis o que pensei imediatamente ao ler isso.

Eu adoraria instalar uma câmera de vídeo do outro lado da rua do prédio da Sra. Tharp, apontando diretamente para a porta de saída do prédio onde ela mora. […] Nós programaríamos a câmera para se ligar todas as manhãs, antes que a Sra. Tharp saísse de seu prédio, e ficasse gravando até que ela entrasse em um táxi e fosse para seu estúdio.

Faríamos isso todos os dias durante um ano e, em seguida, editaríamos as filmagens em sequência. Em outras palavras, nós criaríamos um registro em vídeo do ano inteiro de uma artista levantando cedo todas as manhãs e, faça chuva ou faça sol, indo para o seu local de trabalho.

Imagine isso. Nós teríamos dias com nevascas. Teríamos manhãs de verão sufocantes. Teríamos dias lindos e frescos no outono. Teríamos dias chuvosos quando seria impossível conseguir um táxi. Nessas manhãs, nós veríamos a Sra. Tharp se arrastando até a estação de metrô ou o ponto de ônibus, ou segurando seu guarda-chuva e indo para o estúdio a pé.

Digamos que o pequeno vídeo de cada manhã, após edição, dure trinta segundos. Twyla sai do seu prédio, Twyla chama um táxi, Twyla embarca, a porta do táxi se fecha. Suponha que ela faça isso trezentos dias por ano (vamos dar a ela algumas semanas de folga e considerar os dias em que ela viajar). Com trinta segundos por dia, nosso pequeno documentário em vídeo teria cento e cinquenta minutos de duração, ou seja, duas horas e meia.

A verdadeira substância de toda obra de arte é o que ela sugere.

Este vídeo de Twyla Tharp sugere muitas coisas. Sugere a força poderosa, positiva e profissional do hábito. Sugere vontade, dedicação, amor, devoção, compromisso. Sugere coragem para enfrentar o dragão da Resistência todas as manhãs. Sugere toda uma filosofia de vida e arte.

Queremos que todas as pessoas de Nova York saiam de seus edifícios às seis da manhã, todos os dias, prontas para fazer arte ou empreender? Provavelmente não. Não haveria táxis suficientes. Mas adoro pensar em Twyla Tharp com seu café e iPhone em mãos, pegando um táxi para seu estúdio, ao longo do ano inteiro, ao raiar do dia, pronta para colocar sua bunda onde seu coração quer estar.

Então, da próxima vez que você e eu nos sentarmos em uma sala de espetáculos e assistirmos a outro maravilhoso espetáculo de Twyla Tharp e nos perguntarmos “Como é possível ela fazer isso?”, saberemos onde encontrar a resposta. Naqueles trezentos dias de filmagens. É assim que ela faz isso.

 

Steven Pressfield autorizou a publicação da tradução de Diego Schutt do texto original em inglês. É proibida a reprodução desse artigo sem autorização por escrito.

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Sobre o Autor

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Steven Pressfield é autor de bestsellers de ficção e não-ficção, entre eles “The War of Art” e “The Legend of Bagger Vance”. Em seu livro mais recente, “The Authentic Swing”, ele compartilha em detalhes como conseguiu publicar sua primeira obra.

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