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6 dicas cruciais para escritores inspiradas em George R.R. Martin

Por Diego Schutt em 05/03/2018 Tópicos: Dicas, Escrever Ficção
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A image acima é parte de uma série de stickers para iPhone lançada pela Penguin Random House LLC NY, extraída do perfil oficial do escritor George R.R. Martin no Twitter. 

George R.R. Martin é um roteirista e escritor americano, famoso por suas obras de ficção científica, terror e fantasia. Ele se tornou mundialmente conhecido com a série de livros de fantasia épica “A Guerra dos Tronos”, que foi adaptada para uma série de tv pela HBO. 

O vídeo disponível no final do artigo (áudio em inglês) é um compilado de trechos de entrevistas de George R.R. Martin com várias dicas para quem quer ser escritor. Abaixo, minhas reflexões sobre algumas ideias que surgiram escutando ele falar sobre seu processo de criação e os desafios de ser escritor.

1. Se mantenha aberto para novas ideias

George R.R. Martin estava trabalhando em outro livro quando ele teve a ideia para uma cena que claramente não pertencia à história que ele estava desenvolvendo. Mesmo assim, ele decidiu escrever essa cena. Mais tarde, esse texto se tornou o primeiro capítulo de “A Guerra dos Tronos: As Crônicas de Gelo e Fogo”.

Sempre que uma ideia ficar rondando sua cabeça, entenda isso como uma história convidando você para escrevê-la. Ignorar esses fragmentos de narrativas que se cruzam o seu caminho é recusar uma viagem para um universo de ficção que mexeu com sua imaginação e, portanto, tem grandes chances de mexer com a imaginação de outras pessoas.

2. Jogue com as suposições do leitor

Martin fala de como o primeiro capítulo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” é narrado por um determinado personagem. Como leitores, supomos que ele será o personagem principal, já que a história começa focada nele. Alguns capítulos mais tarde, (cuidado, spoiler) esse personagem morre.

Se você tem consciência sobre o que o perfil de leitor do seu gênero pensa sobre algum aspecto da sua história, você pode criar momentos surpreendentes na narrativa subvertendo tais expectativas. Essa habilidade de jogar com as expectativas do leitor é a base fundamental para a criação de um enredo imprevisível.

3. Evite o vilão feio e malvado vestido de preto

A batalha entre o bem e o mal é essencial em muitas histórias de ficção, em especial em histórias de fantasia. Martin diz que, em suas histórias, ele enxerga essa luta entre opostos sendo travada dentro de cada personagem. O vilão não é apenas um personagem feio que vestes roupas pretas e acorda pensando “Eu sou terrível. Que coisas terríveis posso fazer hoje? Como posso espalhar escuridão pelo mundo?” Essa é uma visão ingênua e infantil.

Os maiores vilões da história mundial pensavam que eram heróis. Isso não significa que tudo é relativo e que a diferença entre bem e mal é somente uma diferença de perspectiva. Existe bem e mal no mundo, mas todos nós temos todos os ingredientes para sermos heróis e vilões, todos nós já fizemos coisas boas e ruins. Somos criaturas contraditórias e complexas. O que nos arrasta para o lado “do bem” ou “do mal” são circunstâncias. É importante que você considere as circunstâncias que arrastaram certos personagens para o lado do mal.

4. Pesquise sobre o que você não sabe

Quando você escreve fantasia, obviamente não viveu em primeira mão várias das experiência dos seus personagens. Martin fala que nunca foi um principe ou rei, que nunca matou ninguém, e que nunca foi uma menina de onze anos. Para escrever sobre personagens que têm vidas muito diferentes da sua, pesquise, converse com pessoas que viveram experiências semelhantes aos personagens da sua história.

Nesse processo, empatia é fundamental. Seu objetivo é encontrar a humanidade que você tem em comum com essas pessoas. Se pergunte: O que é universal na experiência desses personagens que eu posso relacionar a minha vida? Não foque no que vocês têm de diferente, mas sim no que vocês têm de parecido, nos seus desejos, sonhos e medos em comum.

5. Leia gêneros diferentes do que você escreve

Se você quer escrever romances policiais, leia todos os que encontrar pela frente. Pesquise a rotina de trabalho da polícia, conheça os procedimentos usados na investigação de crimes, estude leis e direitos civis. Se você quer escrever comédias românticas, leia uma atrás da outra. Estude a psicologia das relações, encontre regularmente seus amigos com problemas emocionais, leia o perfil de centenas de pessoas em sites de relacionamentos.

Muitas pessoas descobrem cedo que gostam de ler histórias de certos gêneros e, a partir de então, eles passam a ler somente isso. Mas ler textos de diferentes gêneros enriquece seu repertório linguístico, técnico e estético. Martin gosta de ler ficção científica e fantasia, mas também lê romances históricos, romances literários e romances policiais.

6. Envolva as emoções dos leitores

Martin diz que escreve com o objetivo de envolver as emoções dos leitores. Tudo momento dramático que você inclui na sua história precisa afetar o leitor, mexer com suas emoções. Se o leitor lê uma passagem onde um personagem importante morre e não sente nada – se ele simplesmente segue lendo para saber o que acontece na seqüência – você não está fazendo seu trabalho.

Como escritor, você precisa aprender a administrar a experiência emocional dos leitores ao longo da história. Para isso, revise e edite seus textos considerando as emoções você quer evocar em cada passagem. Entenda que trabalhar o subtexto da história é tão importante quando trabalhar o texto.

Concorda ou discorda das dicas acima? Deixe um comentário com outras dicas que você considera crucias para quem quer escrever ficção.

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Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 8 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

2 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. ONAI ONAI 08/03/2018

    Uma coisa que ando fazendo atualmente, tá certo que comecei isso a poucos dias mas a ideia em si já estava lá a vários meses: eu abro o site de busca bing e escrevo sobre a imagem que aparecer, não importa que imagem seja, uma paisagem, uma pessoa, uma construção, eu simplesmente fico observando-a por alguns minutos, geralmente ao som de Bach, e depois pego uma folha de papel oficio e vou pra mesa escrever. Nada de escrever no PC pois ele tira minha concentração e atenção. Durante uma hora tento escrever o máximo baseado em apenas uma imagem e no outro dia aos poucos vou moldando o texto. Não sei se isso servirá como dica para alguns mas acho que deve servir para alguma coisa. Hehe…

  2. Alê 11/04/2018

    Ótimas dicas realmente!
    O lance de pesquisar sobre o que você não sabe é extremante importante, escritor é pesquisador! E isso é fantástico justamente porque nos proporciona esse deleite de aprender coisas novas o tempo inteiro também.

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