Aprenda a criar experiências com palavras

10 ideias cruciais sobre escrever ficção inspiradas em Stephen King

Por Diego Schutt em 15/02/2018 Tópicos: dicas, escrever, escrita criativa, storytelling
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Reconhecido como um dos escritores mais notáveis de contos de terror e horror fantástico de sua geração, Stephen King teve livros publicados em mais de quarenta países e diversas obras adaptadas para o cinema.

O vídeo disponível no final do artigo (áudio em inglês) é um compilado de trechos de entrevistas de Stephen King que reúne várias dicas para quem quer ser escritor. Abaixo, minhas reflexões sobre algumas ideias que surgiram escutando ele falar sobre criatividade e o ofício de escrever.

1. Escrever não é obrigação

Muitos escritores gostam de adotar a postura do artista atormentado. Eles consideram escrever uma responsabilidade, uma obrigação, um fardo, como se esse sofrimento, de alguma forma, provasse a profundidade e seriedade do que eles escrevem. Se escrever é uma tormenta tão grande e você não encontra nenhum prazer no processo de criação de histórias, considere abandonar a ideia de ser escritor.

2. Seu passado não limita sua capacidade de criação

Você não precisa ter vivido uma infância traumática ou experiências dramáticas para escrever histórias de terror ou horror. Você só precisa de imaginação e empatia. Imaginar é permitir que sua mente use fragmentos de emoções e pensamentos que povoam seu consciente e inconsciente para criar novas ideias. Empatia é a capacidade de olhar para o mundo com a mente dos personagens que você inventa.

3. Reinvente convenções de gênero

O que todas as histórias de um mesmo gênero têm em comum é a experiência de leitura que elas criam. Para inovar, você precisa conhecer as convenções do gênero que você está escrevendo e encontrar formas de reimaginar as cenas e momentos clássicos desse tipo de narrativa. Considere novas formas de organizar informações, de descrever detalhes sobre o universo de ficção e de usar o contexto de vida dos personagens para explorar o tema da história de um ângulo original.

4. Boas ideias passam o teste do tempo

Somente o distanciamento temporário de um texto permite que você consiga identificar o valor de uma ideia. Às vezes, esse distanciamento é de dias, mas ele pode ser de anos. Boas ideias ficam rondando sua mente por um longo período de tempo. São aquelas histórias que você abandonou, mas ainda não desistiu de escrever. Em outros casos, são aquelas narrativas que você já terminou, mas não ficou satisfeito com o resultado. Nos dois casos, se você se sente compelido a revisitar esses universos de ficção depois de anos sem trabalhar nessas ideias, vá em frente.

5. Acenda grandes fogueiras e os leitores virão

Escrever uma história é como acender uma fogueira em um lugar vazio e escuro. Um por um, os personagens emergem do escuro. Cada um deles traz alguma coisa para manter o fogo aceso. Alguns colocam pedaços de madeira, outros apenas um papel de bala, outros jogam querosene. Se você tem sorte, antes do fogo se apagar, você criou uma fogueira que motivou os leitores a ficarem por perto para escutar as histórias desses personagens.

6. Criticar o crítico é sinal de insegurança e imaturidade

As críticas que você recebe quando compartilha seus textos – em especial de pessoas que não conhecem você – não são pessoais. Se você escreveu uma história ruim, não significa que você é um escritor ruim. Críticas bem intencionadas têm um único objetivo: ajudar você a criar uma experiência de leitura mais prazeirosa. Você não precisa colocar em prática todas as recomendações e ideias que receber, mas assumir uma postura defensiva e criticar o crítico não vai levar você a lugar nenhum.

7. Seu trabalho é traduzir sua excitação para o leitor

Não perca tempo se preocupando com o que leitores gostam ou não gostam. Procure desenvolver ideias que intrigam você, escrever histórias sobre personagens que você têm interesse em conhecer melhor. Se você criar um universo de ficção em que você gosta de transitar e que está genuinamente curioso para explorar, seu único trabalho como escritor é encontrar a melhor forma de traduzir a excitação que você sente em relação a essa história para o leitor.

8. O processo de criação pode demorar para começar

Quando você se senta para começar a escrever, os primeiros minutos podem ser angustiantes. Você não gosta do que está aparecendo na página e você sente que não sabe o que está fazendo. Eventualmente, você encontra uma ideia diferente das outras que você havia considerado e ela desencadeia uma sequência de novas ideias. O início do processo de criação é esse momento em que você tem a sensação de que encontrou algo que merece ser investigado em mais profundidade. Tudo o que vem antes disso é a simples batalha contra Resistência e procrastinação.

9. Use suas histórias para expressar suas verdades 

Escrever um texto bom dá trabalho e é comum nos questionarmos se todos os nossos esforços valem a pena. Se você escreve com a intenção genuína de expressar as pequenas e grandes verdades que descobriu sobre sobre o mundo, a vida e as pessoas, se sua escrita vem do desejo sincero de passar adiante algo que pode, de alguma forma, enriquecer ou entreter a vida de outras pessoas, escreva. Na pior das hipóteses, o processo da escrita enriquece a vida de pelo menos uma pessoa: a do próprio escritor.

10. Prove para o leitor que suas histórias valem a pena 

Se você quer escrever histórias que são apenas catedrais gramaticais ou laboratórios linguísticos, talvez você consiga impressionar leitores sofisticados com suas habilidades técnicas e expressivas. Mas se você quer conversar com as emoções de outras pessoas através de seus textos, pare de escrever histórias para tentar provar sua inteligência e sensibilidade. Comece a usar sua inteligência e sensibilidade para provar que suas histórias valem a pena serem lida.

E você, discorda ou concorda com essas ideias? Que outras ideias você considera cruciais para quem quer escrever ficção?

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Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 8 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

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