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Qual é a grande habilidade do escritor?

Por Steven Pressfield em 05/07/2015 Tópicos: escrever, inspiração
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O mundo do artista é mental.

O escultor manipula argila, o programador trabalha com códigos. As ferramentas reais de um artista, em contrapartida, assim como a de cineastas e místicos, são a sombra e a luz.

O espaço do artista é a mente. Seu material é imaginação.

Ele se pergunta “de onde vêm as ideias?”. Será que Gershwin teve a ideia de “Rhapsody in Blue” no chuveiro? Será que J.K. Rowling estava assando uma torta na primeira vez que imaginou Hogwarts? Ou ele estava no piano e ela em frente ao computador?

Como um monge zen meditando, o artista entra em um espaço mental. Um espaço mental vazio. Ele se torna uma criança. Ele se torna um aparelho receptor. Ele sintoniza na estação de rádio cósmica e escuta a qualquer que seja a canção sendo transmitida especificamente para ele.

Qual é, exatamente, a grande habilidade do escritor?

Nós sabemos o que carpinteiros fazem. Podemos entender o trabalho de um cirurgião. Mas o que faz um artista? Qual é sua grande habilidade? É isso:

O artista entra no vazio e volta com alguma coisa.

Sua habildade é desligar sua autocensura.

Sua habilidade é pular de penhascos.

Sua habilidade é acreditar.

Como artistas, no que acreditamos? Acreditamos em um modelo de universo (ou pelo menos de uma consciência dentro desse universo) que não é aleatória, não é sem propósito, não é vazia de significado.

Acreditamos em uma realidade mental que é ativa, criativa, auto-organizada, independente, infinitamente diversa e, ainda assim, coesa, governada por leis que estão ao alcance da compreensão do ser humano.

Acreditamos que o universo tem um presente guardado especificamente para nós (e especificamente para passarmos para outras pessoas) e isso, se aprendermos a mergulhar no vazio, vai entregar esse presente em nossas mãos.

Acredite em mim, isso é verdade.

 

Steven Pressfield autorizou a publicação da tradução de Diego Schutt do texto original em inglês. É proibida a reprodução desse artigo sem autorização por escrito.

 

 

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Sobre o Autor

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Steven Pressfield é autor de bestsellers de ficção e não-ficção, entre eles “The War of Art” e “The Legend of Bagger Vance”. Em seu livro mais recente, “The Authentic Swing”, ele compartilha em detalhes como conseguiu publicar sua primeira obra.

4 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. William Ribeiro 05/07/2015

    “O artista entra no vazio e volta com alguma coisa.” – Sensacional!!!

  2. Ramon 16/07/2015

    Diego só tenho duas perguntas: A 1º é se você acha que tem algum tipo de tema que não deve ser colocado em uma história e a 2º é se tem como saber a hora certa de colocar um dialogo na história.
    obrigado

  3. Hellem 17/07/2015

    essa foi uma explicação mais do que sensacional, me fez gostar ainda mais de escrever

  4. Maria Tereza 10/02/2016

    Diego – estou facinada com a forma que expressas tuas idéias! Este parágrafo me encantou:
    “Acreditamos que o universo tem um presente guardado especificamente para nós (e especificamente para passarmos para outras pessoas) e isso, se aprendermos a mergulhar no vazio, vai entregar esse presente em nossas mãos.”
    Muito bacana!

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