Aprenda a criar realidades com palavras

Meu sucesso repentino como escritor

Por Steven Pressfield em 31/01/2015 Tópicos: dicas, escrever, escrita criativa, inspiração
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Um artista jovem lamenta suas dificuldades na indústria do cinema para Walter Matthau, ator vencedor de um Oscar. “Sr. Matthau, só estou esperando pelo meu primeiro grande sucesso!” Matthau ri. “Garoto,” ele diz, “não adianta ter apenas um grande sucesso. Você precisa de cinquenta grande sucessos.” […]

Tentei escrever meu primeiro livro quando tinha vinte e quatro anos. “Bagger Vance” (meu primeiro livro publicado) saiu quando eu tinha cinquenta e um. Vinte e sete anos é bastante tempo para se trabalhar sem sucesso. Você consegue imaginar quantas vezes minha esposa, minhas namoradas, meus familiares e amigos me chamaram para uma conversa séria? Você consegue imaginar quantas vezes eu mesmo me chamei para uma conversa séria?

Ofereço a você três verdades que aprendi nessa odisséia de quase três décadas:

1. É difícil

Quais as reais chances de alguém ser publicado/fazer um filme/lançar um álbum etc? Além disso, quais as chances reais de você ganhar a vida fazendo sua arte ou qualquer que seja sua paixão? Em outras palavras, quais as chances de não ser apenas “o artista de um sucesso”, mas seguir em frente e produzir o segundo, terceiro, décimo trabalho e continuar, através desses esforços, conseguindo pagar o aluguel? Estou falando sério. Quais as chances reais? Alguém sabe?

2. Você precisa ser um pouco maluco

Talvez mais do que um pouco. Talvez muito mais. Na minha experiência, você precisa ser determinado. Você precisa ser insano. Você precisa querer isso desesperadamente (por qualquer razão que seja), ao ponto de estar disposto a fazer qualquer coisa para ser bem sucedido. Você precisa ter uma estrutura emocional que, simplesmente, não permite que você faça outra coisa, como se não existisse outra opção: é sucesso ou morte.

3. Vale a pena

Sei que isso soa um pouco maluco. Quem se importa com um livro ou dez, ou dez álbuns ou ideias de negócio ou projetos filantrópicos? Eles não são todos exercícios de vaidade? Que diferença os sucessos de um indivíduo realmente fazem no mundo? Sim, sim, concordo. Ainda assim, para mim pelo menos, valeu a pena. Tendo dito isso, me permita colocar seus pés no chão e fazer duas distinções:

A. Não foi tudo sorte

Durante aqueles vinte e sete anos, ganhei a vida por pelo menos doze anos como escritor profissional. Trabalhei no mercado publicitário. Tive uma carreira como roteirista. E passei seis anos escrevendo livros impublicáveis (o que também conta como trabalho).

Em outras palavras, o processo, ainda que tenha envolvido muitos anos de loucura e desespero, foi simplesmente de estudo e trabalho duro e focado. Eu estava falhando, mas eu estava aprendendo. Depois de vinte e sete anos, quando sentei para escrever “The Legend of Bagger Vance”, eu era um profissional experiente que entendia os princípios de uma boa história, que tinha autodisciplina abundante, e que teve sucessos suficientes em áreas relacionadas para se aventurar com confiança nessa jornada de escrever um livro.

B. Ainda é um mistério

“The Legend of Bagger Vance” saiu de mim com pressa, inesperadamente. Escrevi o livro em quatro meses e mudei pouca coisa durante a edição. O livro vendeu em três semanas e foi selecionado por um produtor de cinema para virar filme em menos de um mês depois disso. Por quê? Aprendi algum segredo? Todas aqueles anos de falhas finalmente deram frutos? Claro que não. É um mistério.

 

Pensei muito sobre tudo isso e eis minha conclusão. Ainda que somente na nossa imaginação, não podemos julgar nossos sucessos como artistas ou seres humanos nos comparando com outras pessoas. A única pessoa a quem devemos nos comparar é quem fomos no passado em relação a quem somos agora. Somente nós conhecemos nossos demônios. Somente nós sabemos o quanto estamos arriscando ou a profundidade das dificuldades que enfrentamos para escrever. Nós sabemos disso e ninguém mais pode ou precisa saber.

Nunca li uma resenha entusiasmada ou recebi elogios ou reconhecimento de alguém experiente que realmente tocou fundo em mim. Por quê? Porque ninguém sabe. Ninguém sabe pelo que nós passamos, eu e você. A gratificação é, para mim, totalmente privada. Ela é invisível e não tem nem nenhum símbolo de dólares associados a ela.

 

Steven Pressfield autorizou a publicação da tradução de Diego Schutt do texto original em inglês. É proibida a reprodução desse artigo sem autorização por escrito.

 

Sobre o Autor

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Steven Pressfield é autor de bestsellers de ficção e não-ficção, entre eles “The War of Art” e “The Legend of Bagger Vance”. Em seu livro mais recente, “The Authentic Swing”, ele compartilha em detalhes como conseguiu publicar sua primeira obra.

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