Aprenda a criar realidades com palavras

Desejo a você menos inspirações e mais ações que inspiram

Por Diego Schutt em 30/12/2014 Tópicos: escrever, escrita criativa, inspiração, storytelling
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Lançar o primeiro curso do Ficção em Tópicos era o item no topo da minha lista de objetivos para 2011. E para 2012. E para 2013. E para 2014. E seria para 2015 caso eu continuasse esperando por inspiração para começar a trabalhar.

Racionalmente, eu já sabia disso nos anos anteriores. Inspiração é apenas a motivação inicial para se desenvolver uma ideia. O que faz um projeto ganhar vida é trabalho, disciplina, persistência. Frase linda, fantástica, estimulante. Ainda assim, saber disso não fez grande diferença na prática. Ano após ano, o Jardineiro de Ideias seguia sendo apenas o título de uma pasta vazia no meu computador.

Na metade de janeiro de 2014, criei uma situação que tornou impossível adiar o lançamento do curso. Sem nenhum vídeo gravado, nenhum material adicional preparado e nenhum exercício definido, abri as inscrições para a primeira edição do Jardineiro de Ideias para o início de março.

A cada nova inscrição, um mini-ataque de pânico. Eu tinha apenas sete semanas até o início do curso e zero conteúdo preparado.

Apesar de toda a ansiedade, no dia do lançamento do Jardineiro de Ideias a primeira lição estava pronta e eu estava bastante satisfeito com o resultado. Depois de muitos testes, consegui gravar o vídeo do jeito que eu queria. Encontrei um formato de exercício pertinente. Achei exemplos de textos para mostrar a teoria na prática. Selecionei os materiais adicionais para aprofundar o conteúdo. Alívio.

Mas foram 7 semanas de trabalho para alcançar esse resultado. Eu não tinha esse tempo todo para criar as próximas lições. Na semana seguinte, a segunda lição precisava estar pronta. Na seguinte, mais uma. E depois desta, mais três. Além disso, eu precisava ler e comentar, semanalmente, os quatorze textos produzidos pelos participantes, sem contar os trabalhos paralelos que eu precisava terminar para outros clientes.

Pensei que não conseguiria dar conta. Fiquei com raiva por ter me colocado nessa situação. Considerei adiar a continuação do curso para o mês seguinte. Vozes na minha cabeça debochavam da minha estupidez. E quanto mais atenção eu dava para essas vozes, mais ansioso eu ficava. Quando isso acontecia, precisava parar tudo e sair para caminhar. Era a única coisa que me acalmava.

Em uma dessas caminhadas, tomei uma decisão. Não iria mais questionar se conseguiria dar conta. Não iria mais duvidar da minha capacidade.

Não iria mais considerar outra opção. Cada lição do Jardineiro de Ideias precisava ficar pronta nas datas planejadas. Ponto.

Nunca me senti tão focado e concentrado como naquelas semanas. Nenhum dia considerei se estava me sentindo inspirado para criar o conteúdo do curso. Não havia tempo para isso. Eu precisava trabalhar.

No final desta maratona de seis semanas, o Jardineiro de Ideias não era mais apenas uma pasta vazia no meu computador ou um item na minha lista de objetivos. O curso ganhou vida e me ajudou a descobrir, na prática, que a palavra inspiração esconde uma mensagem importante na sua grafia. Uma mensagem tão óbvia que passa desapercebida. Ação-inspira.

Ação é pesquisa, é bunda da cadeira, é escrever, reescrever, revisar, editar, recomeçar do zero se for preciso. Ação é trabalho.

Inspiração preenche páginas com texto. Trabalho transforma o texto em uma narrativa com propósito. Inspiração foca em como o escritor se sente enquanto cria. Trabalho foca em como o leitor vai se sentir enquanto lê. Inspiração dá vida a uma ideia. Trabalho cria um contexto para uma ideia fazer sentido. Inspiração é registro da emoção do escritor. Trabalho é criação de uma experiência emocional para o leitor. Inspiração produz boas ideias. Trabalho produz boas histórias.

Inspiração é plantar semente. Trabalho é jardinar até aparecer flor.

Você não precisa de inspiração para começar a criar. Você precisa apenas estar motivado para começar a trabalhar. Ação inspira ação e inspiração. Minha ação foi abrir as inscrições para o Jardineiro de Ideias sem ter nada pronto. Minha inspiração para produzir o conteúdo de cada lição foram estas pessoas:

  1. Helio Monteiro
  2. Mario Vicente
  3. Evelyn Postali
  4. Ceres Marcon
  5. Kyanja Lee
  6. Rosana Ferraz
  7. André Timm
  8. Antônio Canelas
  9. Alessandra Basher
  10. Ana Roberta Richter
  11. Ricardo Santos
  12. Carlos Mendes
  13. Henrique de Almeida
  14. Rebeca Bedone

Esses foram, por ordem de inscrição, os primeiros escritores a aceitar meu convite para mergulhar sem colocar o dedo no nariz. Não fosse por eles, o curso seria, novamente, apenas mais um item na minha lista de objetivos para 2015. Então, obrigado primeiros jardineiros, obrigado primeiras jardineiras. Saber que vocês estavam aí, esperando ansiosos por cada lição, foi o que me motivou a não desistir.

Agradeço também a todos os outros escritores que participaram das edições posteriores do curso. Cada turma, no seu esforço semanal para desenvolver suas ideias, reforçou minha convicção de que trabalho, disciplina e persistência são as ações que mais inspiram a criação de boas histórias.

Quer fazer parte de uma das próximas turmas do Jardineiro de Ideias? Clique aqui para mais detalhes sobre o curso.

Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Hong Kong. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

2 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Ceres 30/12/2014

    Diego!
    Foi um imenso prazer descobrir uma nova maneira de escrever junto contigo e com os colegas.
    Aprendi a construir e desconstruir parágrafos, a ser mais exigente não só no que produzo, mas no que leio; a respeitar o ritmo do outro e a dificuldade pela qual cada um passou, mas foi gratificante observar o progresso e a dedicação dos colegas.
    Você foi um ótimo mestre. Com paciência nos ensinou a retirar as ervas daninhas de nossos jardins e a plantarmos boas sementes.
    Obrigada pela companhia e pela tua generosidade em nos oferecer teu conhecimento.
    Que 2015 traga muito mais alegrias para você e sucesso para os projetos que estão engatilhados.
    Super abraço,
    Ceres

  2. Kaysa 27/05/2016

    Espero fazer parte de uma futura turma de jardineiro de ideias!
    Esse projeto me deixa cada vez mais ansiosa.

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