Aprenda a criar realidades com palavras

O que eu aprendi escrevendo meus 3 primeiros livros

Por Steven Pressfield em 02/07/2014 Tópicos: escrever, inspiração
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Meu primeiro livro levou cerca de dois anos de dedicação total. Comecei quando tinha 24 anos e desisti quando eu tinha 26. O preço que eu paguei por ele foi minha conta bancária, minha sanidade e meu casamento.

O livro seguinte, 6 anos depois, levou cerca de 18 meses de dedicação total. Esse eu terminei, mas não consegui encontrar uma editora para ele também.

O terceiro livro, 3 anos depois do segundo, levou cerca de 2 anos e meio e me levou ao ponto de considerar seriamente me enforcar. A única razão que me impediu foi que não consegui encontrar um gancho forte o suficiente para aguentar meu peso. Esse manuscrito também não foi publicado.

Fiquei desencorajado? Pra c#cete!

Naquele ponto, eu tinha feito as malas e me mudado de Nova Iorque para Los Angeles, onde passei os 5 anos seguintes escrevendo 9 roteiros especulativos para cinema (levei cerca de 6 meses para terminar cada um, trabalhando em empregos de verdade ao mesmo tempo). Nenhum dos roteiros foi comprado também.

Sim, de muitas formas esses anos foram difíceis como eles soam. Mas ao mesmo tempo, eu estava ficando melhor. Eu estava aprendendo minha arte. Eu tinha aprendido a escrever uma frase, e tinha descoberto como escrever a frase seguinte.

Eu não estava fazendo dinheiro (não trabalhando no ramo que eu queria), mas me tornei um profissional de escrita no sentido de que conseguia começar um projeto de longo prazo e terminá-lo. Isso não acontecia quando comecei. Eu tinha finalmente aprendido a sentar. Eu tinha finalmente aprendido a permanecer sentado. Eu tinha finalmente aprendido como cumprir um prazo, mesmo que o prazo tivesse sido estabelecido por mim.

Eu encontrei a minha voz de escritor? Não. Eu tinha um nome para Resistência? Não. Eu era um bom escritor? Não. Eu tinha alguma confiança realista de que um dia eu seria bem sucedido? Não.

Mas cheguei em um ponto onde eu não me importava mais. O fato de não ter dinheiro não me faria desistir. Eu não tinha uma família, não tinha uma casa, não tinha um futuro em que poderia confiar. Mas nada disso me faria desistir também.

Naquele ponto eu não tinha nem um sonho. Isso era bom. Eu tinha desistido da fantasia que havia um anel de bronze ou um contrato com Hollywood ou uma ovação da crítica que, de alguma forma, mudaria minha vida. Percebi que o que eu fiz, que era sentar em frente ao teclado e esgotar meus pensamentos, dia após dia, era o que eu deveria continuar fazendo, não importa o quanto isso custasse.

Você já escreveu um livro e não consegue achar uma editora? Você está se sentido desencorajado? Você já começou 3 negócios, 4, 7, 10, e todos eles falharam? 

Ninguém disse que seria fácil. Mas isso vale para tudo, não é mesmo? Criar um filho. Permanecer casado. Se reinventar quando suas ambições profissionais se desintegram.

Eu tiro o chapéu para todo mundo que tem um sonho e se joga de cabeça, diante de tantas adversidades, para tornar esse sonho realidade.

Não posso provar, mas eu aposto que 99.99% das pessoas que leem esse blog se enquadram nessa categoria – e os outros 00.01% também, mas eles ainda não perceberam isso.

Siga em frente e não desista. Eu farei o mesmo se você fizer.

Você talvez ainda não tenha se dado conta, mas você está melhorando. Acredite em mim. Eu sei.

 

 

Steven Pressfield autorizou a publicação da tradução de Diego Schutt do texto original em inglês. É proibida a reprodução desse artigo sem autorização por escrito.

 

Sobre o Autor

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Steven Pressfield é autor de bestsellers de ficção e não-ficção, entre eles “The War of Art” e “The Legend of Bagger Vance”. Em seu livro mais recente, “The Authentic Swing”, ele compartilha em detalhes como conseguiu publicar sua primeira obra.

Um escritor tem algo a dizer sobre este texto

  1. Bárbara Cavalcante 06/06/2015

    Estou lendo o site inteiro! Adorei seu modo de escrever e de expor suas ideias, é tudo tão claro! Me sinto assim como você, pois já apostei em diversas coisas. Metade deu certo e metade não, mas nunca continuei com nada pois eu cansava com o tempo, quando percebia que nem tudo era como eu tinha planejado. Comecei a escrever meu primeiro livro há pouco tempo e buscando orientação achei seu site. Gostei muito! Continuarei acompanhando sempre. Abraços!

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