Aprenda a criar realidades com palavras

O Método Foolscap de escrever histórias

Por Steven Pressfield em 02/01/2014 Tópicos: escrever, técnicas
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O Método Foolscap é uma forma de começar um grande projeto – um livro, uma dissertação de Ph.D., um novo negócio. É um truque, mas um muito sábio e astuto. Não é apenas uma técnica para organizar os pensamentos, é uma maneira de derrotar a Resistência.

Mas o que é “Foolscap”? É um bloco de notas (geralmente amarelo), com dimensões de 20.3 cm por 33 cm. Em outras palavras, uma folha que é um pouco maior em altura do que o normal.

O Método Foolscap me foi ensinado, provavelmente 30 anos atrás, pelo meu grande amigo e mentor Norm Stahl. Norm é um documentarista que escreveu e produziu pelo menos 200 horas de documentários, talvez 300, para o History Channel e o Discovery Channel. Ele é uma locomotiva de criatividade e produtividade.

De volta a minha história. Eu estava em Nova Iorque, anos 70, quebrado, lutando desesperadamente para começar, desenvolver e terminar um livro. O Norm ficou com pena de mim e me convidou para almoçar. Nos encontramos no Joe Allen’s, na 46th Street. Eu estava choramingando em cima do meu cheeseburger, detalhando as agruras do meu processo criativo. O Norm pegou sua bolsa e tirou um bloco de notas de papel amarelo. Em seguida, ele disse as palavras que mudariam a minha vida:

“Steve, Deus criou uma folha do bloco de notas Foolscap exatamente do tamanho certo para caber o esboço de um livro inteiro.”

Esse não foi um daqueles momentos que são apreciados em retrospecto. Eu entendi na hora. Senti como se tivessem tirado minha roupa, derrubado um balde gigante de água gelada sobre minha cabeça, e depois me batido entre os olhos com um pedaço de madeira.

Percebi, ainda que não pudesse articular no momento, que Norm era um profissional de fibra, alguém que pensava como um escritor, trabalhava como um escritor e se comportava como um escritor – e que eu era um amador desesperado. Ficou claro para mim porque ele era publicado, enquanto eu estava me esforçando feito louco e não chegando a lugar nenhum.

Uma onda de terror e vergonha tomou conta de mim. Eu não podia fazer nada, a não ser admitir minha própria incapacidade de compreender o conceito mais fundamental de qualquer projeto:

Esta história seria melhor se eu dissesse que fui para casa direto daquele almoço, coloquei a sabedoria do Norm em prática, e trabalhei no meu projeto até terminá-lo com glória. Isso não aconteceu.

Falhei feio nesse projeto, quase me enforquei, me mudei para Hollywood em desespero, onde falhei feio escrevendo uns 12 roteiros e inúmeros outros projetos, antes de finalmente entender a mensagem. O processo levou cerca de 10 anos, quando consegui aplicar a lição, primeiramente em roteiros de cinema e, depois de 7 anos, consegui fazer o método funcionar em um livro.

Finalmente consegui escrever uma novela publicável, “The Legend of Bagger Vance”, em 1995. Eu tinha, finalmente, absorvido a lição do Norm.

 

Steven Pressfield autorizou a publicação da tradução de Diego Schutt do texto original em inglês. É proibida a reprodução desse artigo sem autorização por escrito.

 

Sobre o Autor

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Steven Pressfield é autor de bestsellers de ficção e não-ficção, entre eles “The War of Art” e “The Legend of Bagger Vance”. Em seu livro mais recente, “The Authentic Swing”, ele compartilha em detalhes como conseguiu publicar sua primeira obra.

5 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Lucas 02/01/2014

    Caramba, nem sabia que isso existia! Estou ansioso para saber mais sobre o foolscap

  2. Hileane 02/01/2014

    Interessantíssimo. Eu meio q notei isso a pouco tempo, estava usando um caderninho para as minhas anotaçoes sem me importar muito com o perfeccionismo, só deixando a inspiração rolar e foi tão bom. . .. Tb quero saber mais sobre foolscap.

  3. mateus 02/01/2014

    POR FAVOR!
    uheauhauaeuhea
    Às vezes eu me sinto meio perdido também. Eu vejo as pessoas dizendo “faça um rascunho”, mas eu sento na cadeira e as coisas vão meio que… Pra falar a verdade, eu não sei ao certo o quanto ser descritivo no resumo. E eu fico ainda mais perdido quando as pessoas me dizem pra separar em capítulos – “Cada capitulo resumido”
    E então eu me pergunto: QUANTO é esse resumido? Eu posso resumir um capitulo em uma pagina, ou em um paragrafo. É isso que eu fico me perguntando. “Será que eu to fazendo certo?”

  4. Lucas 03/01/2014

    Ha ha! Também acontece isso comigo, mateus

  5. Emanueli 03/01/2014

    Ah! Um tempo atrás eu também já fiquei perdida num enredo sem saber qual seria a próxima cena a ser escrita! hahah Me identifiquei bastante com essa postagem! rsrs. Depois de choramingar,esticar o meu rosto com as mãos sem saber o que fazer e ficar irritadíssima comigo mesma… Eu resolvi apenas colocar as minhas ideias do modo mais simples possível numa folha de papel qualquer. Funcionou bastante, porque semanas de folhinha de papel depois, eu recuperei minha inspiração novamente com uma ideia nova surgiu por causa do esforço. Finalmente então eu coloquei a mão na massa e escrevi a tal cena nova.
    Tenho 16 anos, e apesar de levar a escrita como hobbie, acompanho as suas dicas. Gosto muito do site, acesso frequentemente e queria agradecê-lo por compartilhar suas experiências com o público! Parabéns pelo site Diego! Você ajuda muitos! (:

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