Aprenda a criar realidades com palavras

Por que ninguém quer ler nada que você escreve (e como reverter essa situação).

Por Diego Schutt em 27/08/2013 Tópicos: escrever, inspiração
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Ninguém quer ler nada que você escreve.

Essa é a realidade mais difícil para um aspirante a escritor aceitar. Mas é somente enfrentando essa verdade que você poderá criar histórias mais envolventes.

Não interessa se você escreve bem ou se suas histórias são originais. Ninguém quer ler nada que você escreve simplesmente porque todo mundo está distraído com a infinidade de opções de entretenimento disponíveis.

Você já notou quantos livros estão a venda nas livrarias? Quantos textos estão disponíveis na Internet? A infinidade de revistas e jornais nas bancas? O número de seriados e novelas passando na tv? A variedade de filmes e peças de teatro em cartaz? Suas histórias estão competindo por atenção com tudo isso.

Desanimador, não é?

Por que as pessoas investiriam tempo lendo as histórias de um escritor desconhecido como você, quando existem tantas outras opções de entretenimento produzidas por profissionais? 

Pensar sobre isso é suficiente para fazer muita gente desistir. Mas existe uma forma de fazer suas histórias terem chances melhores de se sobressaírem nesse mar de distrações: recompense o tempo que o leitor está investindo na sua história em cada frase. Como se faz isso?

1. Faça as primeiras linhas da sua história captarem atenção e despertarem curiosidade do leitor. Faça os personagens e acontecimentos levantarem perguntas intrigantes que não podem ser imediatamente respondidas. Imagine que você tem apenas alguns segundos para convencer o leitor de que sua história vale a pena.

2. Se você for bem sucedido no ponto acima, o leitor vai lhe dar crédito por mais algumas linhas, talvez alguns parágrafos ou páginas. Você agora precisa convencê-lo de que ele fez a escolha certa em continuar lendo. Use essa oportunidade para contextualizar seu universo de ficção e apresentar o protagonista da história.

3. Se você convenceu seu leitor de que seu protagonista é uma boa companhia, ele vai lhe dar mais algumas páginas ou até mesmo capítulos de crédito. Caracterize o personagem principal de forma peculiar e, na sequência, provoque empatia e conexão emocional com o leitor introduzindo um conflito na história. Crie expectativa em relação ao que vai acontecer e como o enredo vai se desenrolar.

4. Tenha em mente que o leitor sempre pode abandonar sua história a qualquer momento. Sempre imagine como o próximo parágrafo pode reforçar o desejo de continuar lendo, de querer saber mais sobre os personagens e sobre como a narrativa vai progredir a partir dali. Faça cada frase contar.

Você não está nem aí se escrevi esse artigo em 10 minutos ou 10 dias, se revisei ele 2 ou 20 vezes, se pesquisei o assunto em livros ou não consultei referências. Você está aqui porque, linha por linha, fiz você acreditar que vai aprender algo importante ao final deste texto. Até agora, convenci você de que vou cumprir essa promessa e, por isso, você segue lendo.

Como disse o Tales Gubes neste ótimo artigo, ao publicarmos qualquer texto, estamos declarando acreditar que ele tem algum valor, que o vamos recompensar a atenção do leitor com nossas palavras.

A recompensa que os leitores esperam quando leem histórias de ficção é uma experiência emocional. Faça seu leitor rir, chorar, se surpreender, se indignar, se aterrorizar, se encantar, se preocupar. Faça ele sentir alguma coisa, porque no momento que ele ficar indiferente ao que você escreve, sua história será abandonada.

Quando você entende porque ninguém quer ler o que você escreve, você percebe que toda história propõe uma transação. O leitor lhe dá seu tempo e atenção e, em retorno, você o entretém.

Olhe para cada frase com o olhar de quem não tem tempo, é impaciente, não acredita que um escritor iniciante vai produzir nada que preste. Faça isso e tenha certeza de que suas histórias terão muito mais chances de sobreviver na guerra por atenção.

E você, conhece alguma outra forma de se sobressair nesse mar de distrações? Deixe um comentário.

Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Hong Kong. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

7 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Marvson 03/05/2012

    Acho que algo fundamental também é levar algo do cotidiano do leitor, que ele possa se identificar, é misturar a ficção com uma dose de realidade. Já li livros totalmente ficcionais, e estes não entretêm os mais exigentes, mas o tempero de muitos best-sellers é simplesmente essa mistura. Eles criam personagens mais reais com defeitos e inseguranças, resumindo, eles focam a história como um todo. Talvez se esse artigo fosse feito em 10 minutos, poderiam ocorrer erros gramaticais, ou até embaralhamento de ideias. Enquanto escrevo, para mim, o fundamental é escrever, revisar e qualificar com a opinião de outras pessoas exigentes.

  2. Thales 27/06/2012

    Muito bom, me impressionei muito com todo o site. Realmente, depois dos 4 pontos em que você fala que o leitor não se importa a respeito das sutilezas, das comparações inteligentes, isso me mostrou que estou fazendo a coisa certa. Muito obrigado!

  3. Fagner 18/11/2012

    Mais uma vez, parabéns pelo site! Você sabe muito bem como escrever. Continuarei sempre acompanhando essas dicas. Elas não tem preço!

  4. Diego Schutt 18/11/2012

    Valeu Fagner. Obrigado pela leitura! 🙂

  5. Bruno Gandin 06/09/2013

    É complicado mesmo escrever e suas histórias não serem envolventes e etc e tal. Mas posso dizer que depois de ler tantas dicas aqui eu aprimorei as maneiras de captar e “agarrar” leitores assíduos com o meu blog e estou feliz com as pessoas me mandando mensagens. Até porque acredito que muita gente não acessa blogs hoje com facebook e outras redes sociais.

  6. Fiquei extremamente satisfeita por constatar que algumas das várias dicas estão retratadas nas minhas histórias! É realmente um alívio quando descubro que não faço as coisas tão erroneamente como penso às vezes, kkkkk.
    Mas tem uma coisa que ajuda muito também, além de todas as estratégias postadas ou o uso de blogs: são as contas em sites de fanfic’s amadoras. Eu tenho algumas e posso afirmar com certeza que as pessoas procurariam minhas obras por já terem conhecimento de quem sou – mesmo que eu não seja reconhecida de fato no mundo literário. Recebo mensagens elogiosas diariamente – assim como críticas – e isso me faz crescer em minha escrita ou na forma de organização e síntese de ideias. Além, é claro, de prestar bastante atenção às aulas de português, kkk.
    Adorei seu site, inclusive, tu sabes escrever de uma maneira sintetizada e direta, na qual podemos entender perfeitamente bem todos os sentidos. Parabéns e obrigada pelas dicas!
    Roberta Matzenbacher.

  7. Caleb-br 29/12/2013

    Parabêns pelo site incrível.Acho que…diferentes de muitos aqui,eu não planejo ser um escritor.Eu estudo para ser um desenvolvedor de jogos…que eu também considero como uma forma de arte;e quero um enredo que não seja medíocre e que envolva os sentimentos do jogador.Muito Obrigado e espero que algum dia vocês joguem meus jogos! 😀

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