Aprenda a criar realidades com palavras

Como saber se sua história está pronta?

Por Diego Schutt em 15/08/2013 Tópicos: dicas, escrever, escrita criativa
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Você está trabalhando em uma história há algumas semanas ou meses. Depois de reescrever, editar e revisar o texto incontáveis vezes, você finalmente sente estar próximo de colocar o derradeiro ponto final. Mas como saber se a história está realmente pronta?

Abaixo, 6 perguntas para você se fazer antes de considerar seu texto finalizado.

1. Você sabe o que está dizendo nas entrelinhas?

Mesmo que você tenha se deixado guiar por sua intuição – permitindo que as ideias se acumulassem na página espontaneamente, sem se preocupar com sua intenção – a história que você escreveu reforça certos valores, opiniões e moralismos. Releia seu texto e procure identificar que visão de mundo o texto está compartilhando com o leitor nas entrelinhas. Esse entendimento ajudará você a editar a narrativa mais consciente de que elementos da história precisam ser melhor desenvolvidos.

2. Você revisou a ortografia e gramática?

Processadores de texto são grande ajuda nessa hora, mas eles não são 100% confiáveis. Pontuação, concordância e regência são apenas alguns dos tópicos gramaticais que muitas vezes não são identificados como erros por programas de computador. Escolha uma gramática para usar como referência. Cuidado com pesquisas na internet em sites aleatórios, que podem trazer informações incorretas e até mesmo contraditórias.

3. Você deu tempo para o texto respirar?

Quando estamos trabalhando em uma história, estamos tão envolvidos com o universo de ficção que fica difícil avaliar se o texto está expressando nossas ideias da forma como desejamos. Para avaliar suas narrativas de uma forma mais imparcial e objetiva, você precisa se distanciar do que produziu, abandonando o texto por alguns dias ou semanas. Algumas histórias nascem prontas, mas muitas precisam de tempo para amadurecer.

4. Você leu a história em voz alta?

Escutar seu texto sendo lido (por você, por um amigo ou mesmo pelo computador) é uma ótima forma de ganhar perspectiva sobre o que você escreveu. Isso ajuda você a verificar o ritmo e a fluidez da história, além de expor frases longas demais, parágrafos confusos, e trechos mal encaixados no texto.

5. Você pediu para outra pessoa ler o texto?

Muitas ideias só fazem sentido dentro da sua cabeça. Por isso é importante que você mostre seu texto para, pelo menos, uma outra pessoa. É como um teste de realidade para ajudar você a ter uma ideia do impacto que suas palavras terão nos leitores. Escolha um leitor do gênero que você escreve e cuja opinião você respeite.

6. Você está satisfeito com o resultado?

Essa é a pergunta mais importante de todas. Se você ainda sente que está faltando alguma coisa na sua história, ela ainda não está pronta. O texto não precisa estar absolutamente perfeito, mas você precisa se sentir confortável o suficiente com o resultado final antes de considerar o texto finalizado.

E você? Que perguntas se faz antes de considerar suas histórias prontas?

Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

11 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Mônica Cadorin 15/08/2013

    Oi, Diego. Reveja o item 4: “Escutar o seu texto sendo lindo”. Sei que o texto está lindo, mas sei também que não foi isso o que você quis dizer. Ficou engraçado dessa forma. Freud explica 🙂

    Gostei muito das suas 6 perguntas. Acho que é isso mesmo. São perguntas que me faço o tempo todo, cada vez que releio o texto, até começar a preparar a publicação. Eu também acredito muito no item 3, e deixo meus romances guardados por pelo menos um ano antes de começar a fase das revisões. Os outros itens, vou me perguntando sempre, durante a escrita e depois desse primeiro ano de separação.

    Gostei também da forma objetiva como você colocou as questões. Muito válido como dica, não só para autores iniciantes, mas também para quem está na estrada há mais tempo.

    Um abraço

  2. Alexandre 15/08/2013

    Ainda estou no meio do romance que é o foco das minhas atenções nesse momento, mas há situações em que não consigo enxergar como conectar dois pontos da história – a parte até a qual escrevi e outra mais além. Porém, mesmo ainda estando nessa fase “conturbada” já tento me ligar em dicas como essa sobre como saber se a história está ou não “pronta” (As aspas são pra indicar que, pelo menos pra mim, as histórias nunca estarão prontas. Sempre que reler terei algo pra mudar, haha).
    Como sempre, ótimo texto, Diego!

  3. Diego Schutt 15/08/2013

    Mônica, Freud explica total! E minha dislexia também. ;-D

    Obrigado pelos toques nos erros de digitação. Você está me ajudando com a pergunta 5, já que não tive a oportunidade de mostrar o texto para ninguém antes de publicar. Fico feliz que você tenha gostado do artigo.

    abs
    Diego

  4. Diego Schutt 15/08/2013

    Alexandre, me identifico muito com o que você falou. Tenho grande dificuldade de abandonar meus textos. Até hoje, reviso e edito artigos que publiquei há mais de 3 anos atrás no Ficção em Tópicos. Não consigo resistir a tentação. Como as histórias que escrevo, a situação é ainda pior. Releio com frequência mesmo as que eu já tinha dado como finalizadas e sempre acabo mudando um detalhe aqui ou ali. Aos poucos, estou aprendendo a desapegar. 😉

    Obrigado pelo comentário e boa sorte com seu romance.

    sds
    Diego

  5. Alexandre 16/08/2013

    Que ótimo saber que isso não acontece só com iniciantes, Diego, haha : )
    Só adicionando um comentário sobre o item 5, recentemente enviei um trecho de um dos meus primeiros textos (que coincidentemente faz 3 anos amanhã, 17 de agosto e ainda não está pronto :O) a uma professora do ensino médio e ela disse ter gostado muito (e pelo jeito se envolvido com minha singela história). Porém, duvidei um pouco da opinião dela (mesmo respeitando muito), já que ela não apontou erros, o que me fez pensar que ela pode ter deixado a “educação” e pouca intimidade comigo falarem mais alto na hora da análise, não se prendendo e avaliado tanto os aspectos técnicos. Já uma amiga muito próxima, ao ler o mesmo texto, disse gostar muito, mais do que outro que eu havia enviado a ela anteriormente (sobre algo mais íntimo, um conto baseado numa situação vivenciada por mim) e não apontou erros tão significativos como apontou no primeiro. Enfim, só gostaria de deixar registrado esse meu primeiro passo para começar a mostrar ao mundo minhas histórias, algo que considerava impensável um tempo atrás.
    Continue com o bom trabalho no – novo – site, Diego!

  6. Camila 16/08/2013

    As perguntas formam um ótimo guia para quem escreve, mas acho que nunca saberei se meu livro está realmente pronto. O perfeccionismo atrapalha (e muito) nessas horas!
    “Terminei” o livro há uns dois meses (depois 3 anos escrevendo, abandonando, retomando, e assim sucessivamente) e ainda não me sinto confiante com ele. Passei por todas as etapas acima (inclusive mostrar a uma pessoa, que é uma parte bem difícil) mas não consigo sentir que coloquei um ponto final. Se em um dia leio e realmente gosto do que escrevi, no outro não gosto tanto e acho que deveria esperar amadurecer mais um pouco para mostrá-lo a uma editora. Enfim, nessa eterna batalha numa hora eu me decido! Hahaha.
    Obrigada pelas dicas, Diego. Sou fã do site desde que o descobri e estou sempre lendo as atualizações.
    Beijos!

  7. Diego Schutt 05/09/2013

    Camila, essa esquizofrenia de amar o que se escreve num dia e odiar no outro é super comum. Faz parte do processo.

    Fico feliz que você seja leitora assídua do Ficção em Tópicos. Obrigado pela leitura e pela mensagem.

    bj
    Diego

  8. Maria Amelia 13/09/2013

    Adorei todas as dicas mas especialmente a dica número cinco. E também adorei ouvir que a “esquizofrenia de amar o que se escreve num dia e odiar no outro é super comum”. Obrigada, me sinto menos incompetente agora.

  9. Diego Schutt 14/09/2013

    Maria, você definitivamente não está sozinha. Estamos todos no mesmo barco. 😉

    Obrigado pela mensagem.

  10. Alvaro Alves 13/12/2013

    Destes cinco tópicos, dois creio serem importantes: cinco e seis, (os outros são super importantes também, mas em termos particulares escolhi dois).Difícil é achar quem leia seus Originais de ”graça” (como um amigo verdadeiro). Acho que ficar satisfeito com a obra, nem um Writer fica,sempre queremos atingir perfeição, mas, afinal, quem é perfeito?!

  11. Fabio Lisboa 13/12/2013

    Bacana, Diego, sempre sigo a maioria destes passos antes de publicar no blog, que dirá no papel. O meu primeiro (e até agora único) livro demorou 3 anos passando e repassando pelos 5 passos que descreve e mais 2 anos até ser publicado… (e mesmo assim, sempre escapa uma coisinha ou outra a ser melhorada,rs)… ou seja, paciência, sem dúvida, faz parte da ciência do escritor!

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