Dicas e técnicas para escrever livros e roteiros para cinema e tv.

O que fazer quando terminar de escrever o seu livro?

Por Diego Schutt em 11/09/2012 em dicas
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Texto extraído do Guia de Primeiros Socorros para o Escritor Iniciante, pela escritora Cristina Lasaitis. 

Confira o guia completo clicando aqui.

A primeira pergunta que o autor iniciante deve se fazer é: qual é o seu objetivo para com o texto que tem em mãos?

 

A) Quero ser lido.

Um escritor precisa de leitores e é bastante saudável você ter os seus textos lidos antes que resolva se aventurar pelo mundo editorial. A internet facilitou muito para os escritores divulgarem os seus textos com custo zero. Você pode ter o seu blog para publicar as suas histórias, pode buscar em grupos de e-mail e redes sociais fãs de um mesmo gênero literário e outros escritores iniciantes para quem irá divulgar o seu trabalho e com quem irá trocar figurinhas.

O importante nessa fase é conquistar a interação com o público, ter o feedback dos leitores: ouça o que vão lhe dizer sobre o seu texto – e acima de tudo: aprenda a ouvir! Avalie os comentários e as críticas, veja quais opiniões são mais pertinentes para o aprimoramento do seu texto, e não tenha preguiça de reescrevê-lo quantas vezes forem necessárias até convencer-se de que chegou à sua melhor versão.

Publicar na internet é um bom exercício de amadurecimento da escrita e do senso crítico, e uma via para a profissionalização do escritor.

Alguns escritores profissionais têm nos seus blogs a sua principal via de publicação: é prático, ecológico, rápido, gratuito e permite que a informação chegue a qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Além disso, vários autores têm explorado o crescente mercado dos e-books.

No exterior, os e-books têm se mostrado uma opção cada vez mais rentável na medida em que proliferam os smartphones e os e-book readers, com a possibilidade do usuário fazer download de e-books a preços irrisórios nas lojas virtuais, mas que farão uma diferença significativa nos bolsos dos seus autores.

No Brasil ainda é complicado ganhar dinheiro com e-books, pois não dá para subestimar a pirataria. Mas se a sua finalidade é mesmo ser lido e divulgado, disponibilizar sua obra em formato digital é uma ótima forma de espalhar o seu trabalho!

 

B) Quero ser publicado.

Não é mentira se eu disser que hoje qualquer pessoa consegue publicar um livro no Brasil. São inúmeras as editoras por demanda, as editoras de baixa tiragem, as editoras mercenárias que publicam qualquer coisa desde que o autor pague, ou… quem disse que precisa de editora para publicar um livro? Não é raro encontrar autores que arcam integralmente com os custos e viabilizam sozinhos a publicação das suas obras. Se você não quiser ter muito trabalho e tiver $$$, publicar seu livro é fácil, fácil!

A pergunta correta a fazer, então, não é se você vai conseguir publicar, mas como você gostaria de publicar.

Se o seu objetivo é escrever um bom livro, mandar para uma editora, ser aceito e não precisar pagar para publicar, ter a sua noite de autógrafos, ver o seu livro na prateleira da livraria e receber bonitinho os seus direitos autorais, você persegue o ideal do escritor profissional.

Não quero dizer que você precisa ser escritor profissional para ter o seu livro publicado deste modo, mas a qualidade da sua obra deverá estar próxima a um trabalho profissional – e por uma única razão: ter o seu livro aceito por uma editora, sem custos para o seu bolso, é difícil, e dependendo do gênero do seu livro (se é mainstream, chick lit, ficção científica, policial, fantasia, poesia, etc.), da sua experiência, da sua sorte, dentre inúmeros outros fatores, pode ser difícil demais.

Lembre-se que o fato de publicar não é uma garantia de que você será lido. Seja realista: você vive em um país dominado por uma cultura majoritariamente audiovisual, uma minúscula parcela da população brasileira é formada por leitores de carteirinha, e mais ínfima ainda é a parcela dos leitores brasileiros que lêem livros de brasileiros!

Se o mercado editorial de autores brasileiros é pequeno, é compreensível que as editoras não darão muitas chances para os nossos escritores, e que dirá para os iniciantes! Formar o seu público leitor através de mídias informais – publicando em fanzines, antologias e blogs, por exemplo – é uma maneira de deixar as editoras mais interessadas no seu trabalho.

Pode-se concluir que a publicação de livros em papel passa pela profissionalização do escritor. Então eu lhe pergunto: você é tarado por livros? Escrever e publicar é muito importante na sua vida? Você está disposto a aprender, estudar, praticar indefinidamente, fazer sacrifícios, investir uma parte considerável do seu tempo no desenvolvimento da escrita?

E o mais importante: você tem algo a dizer? Se a resposta a uma dessas perguntas for “não”, você pode ser feliz levando a literatura como um hobby, e o que vier será lucro. Mas se a resposta a todas as perguntas for “sim”, assuma a ideia de que você quer ser escritor profissional e corra atrás do seu sonho!

 

C) Quero ver minha história virar filme.

Se a única razão pela qual você escreve é porque tem o sonho de um dia ver sua história ganhar a telona ou a telinha, sugiro que você pare e repense o que quer realmente.

Entrar na literatura só para querer ir para o cinema será uma jornada trabalhosa demais, tortuosa demais para um resultado imprevisível e com grandes chances de frustração.

É verdade que o cinema e a literatura se comunicam, mas cada uma dessas mídias tem recursos próprios e exclusivos. As imagens do cinema podem ser mais emocionantes e belas do que as palavras são capazes de descrever; por outro lado, as palavras podem criar sensações e emoções impossíveis de transportar para uma tela.

O cinema comporta bem as narrativas épicas e dramáticas (e seus subgêneros: comédia, tragédia, farsa e melodrama), e os livros comportam, além dessas, as narrativas líricas. Nesse sentido, a literatura é mais completa por ir além da interface audiovisual, é exequível por meros mortais e infinitamente mais barata do que o cinema.

Sim, alguns livros vão para o cinema, mas nunca diretamente. Veja que é necessário um trabalho de adaptação para transformar um livro em roteiro de cinema, e raramente é o próprio autor quem faz o roteiro adaptado. Na maioria das vezes, depois que os direitos autorais são comprados, o autor da obra sequer é consultado pelos produtores, não tem o menor poder de decisão sobre o que será feito no estúdio.

Sem cogitar que o cinema tem o poder de melhorar ou piorar uma história – e, mais comumente, destruí-la. Poucas são as adaptações realmente fiéis às obras originais. E você provavelmente já saiu de uma sessão de cinema ouvindo alguém comentar: “mas o livro é muito melhor!”

Devo acrescentar que estamos falando em português, o que torna a sua vida um tanto mais difícil. No Brasil são pouquíssimos os livros que ganham adaptações cinematográficas, e risque dessa lista as obras de ficção científica e fantasia. Se a sua história for uma história fantástica, cheia de efeitos especiais, que só poderia ser filmada com o dinheiro e a tecnologia dos grandes estúdios estrangeiros, seja realista, é muito difícil que sua história vá para o cinema!

Não estou dizendo que o seu sonho é impossível, nem que você deve desistir dele. Mas há outros meios mais eficazes de perseguir o seu objetivo, ou que pelo menos podem lhe trazer mais satisfação.

Se o seu sonho é mesmo o cinema ou a TV, já pensou em se tornar um roteirista?

Muitos roteiristas são escritores, muitos escritores são roteiristas; não há grandes diferenças entre um e o outro: ambos precisam saber como contar uma história. As habilidades são semelhantes, muda apenas a formatação e a finalidade: o foco do roteirista é a obra audiovisual. Não é necessário ter uma formação específica para ser roteirista, você pode estudar manuais de roteiro, procurar cursos – existem até cursos de roteiro gratuitos (como o da Biblioteca Roberto Santos, em São Paulo).

Pense que será mais fácil deixar produtores e cineastas interessados na sua obra se você mandar para eles um roteiro pronto, e não um livro. E também será mais provável conhecer as pessoas certas se você se infiltrar como roteirista no universo do cinema e da TV.

Mas ainda não falei dos empreendedores solitários. No Brasil há escritores fantásticos que construíram suas carreiras publicando romances e, sonhando com a adaptação audiovisual das suas obras, empreenderam suas próprias filmagens, produzindo pequenos seriados para a internet. Não é o mesmo que ir para o cinema, mas é um começo, uma esperança – quem sabe um dia? São casos que podem lhe servir de inspiração, basta ter iniciativa e vontade de trabalhar.

Sobre o Autor

Diego SchuttVer todos os artigos por Diego Schutt
Diego Schutt é escritor e especialista em storytelling e criação de universos de ficção. Estudou escrita criativa na Austrália, Suíça, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e até mesmo no Brasil. Há 5 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português, que oferece serviços de consultorias individuais, além de cursos e oficinas de formação de escritores.

3 Comentários

  1. Mariana 17/11/2012

    Seu blog é muito bom e tem dicas muito úteis, que muito tem me ajudado com meus livros. Parabéns pelo trabalho desenvolvido aqui.

  2. Diego Schutt 17/11/2012

    Oi Mariana

    Legal que você curtiu o Ficção em Tópicos. Divulgue entre outras pessoas que você acredita que possam se beneficiar das dicas. Obrigado pela leitura.

    sds
    Diego

  3. Jéssica Crocco 19/02/2013

    Muito bom *–*
    Ajudou legal nas minhas duvidas .

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