Aprenda a criar realidades com palavras

Dica 94: Entenda as motivações dos personagens.

Por Diego Schutt em 03/09/2012 Tópicos: dicas, técnicas
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Em histórias de ficção, nada acontece por acaso. Tudo o que um personagem pensa, diz ou faz tem origem em suas experiências passadas. Todas as informações reveladas sobre ele estão diretamente relacionadas ao objetivo do escritor em fazer o leitor associar certas percepções à personalidade desse personagem.

Ainda que as razões que justificam certos comportamentos não apareçam explicitamente no texto, é importante que você as conheça para que todos os participantes da história ajam de forma coerente durante a narrativa.

As motivações dos personagens, sejam conscientes ou inconscientes, são a chave para você desenvolver conflito no enredo e resolvê-los de forma satisfatória. Para entender as motivações mais profundas do seu protagonista, procure entender que desejo o conflito central da história provocou nele, e que experiências passadas ou planos futuros justificam esse desejo.

Leia as dicas 1 à 50.

Leia as dicas 51 à 100.

Sobre o Autor

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Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Inglaterra e Japão. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

6 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Gean Riwster 05/09/2012

    Compreendo essa parte da história. Motivações ou justificativas dos personagens são uma forma de diferenciá-los uns dos outros ou até mesmo de nós, escritores. Acredito que esse é o primeiro passo de um dos segredos da escrita: “Acorde, você não é o criador de SUA história, você é só um EXPECTADOR. Seus personagens tem vida própria”. Gostei de um relato de um autor, que dizia mais ou menos assim: “Não fui eu que matei ele, foi outro personagem. Não pude impedí-lo”.

    Na técnica, eu sei disso, e na escrita dou meus pulos. O único problema é que fico pasmo como George R. R. Martin consegue, em uma ou duas páginas criar o melhor personagem de todos os tempos e em outra mostrar suas verdadeiras “Motivações”, quebrando sua frágil máscara e colocando ele no status sanguessuga. Ainda mais interessante são os personagens misteriosos que ele cria, onde não entendemos ou não é falado as tais justificativas e motivações, manuseando um segmento completamente imprevisível, dona das reviravoltas. Claramente, o nível de complexidade de personagens desse autor é exorbitante, e creio que estou a anos luz dele, mas não quer dizer que é inalcançável…

    No fim, podemos até nos autoproclamarmos Deuses honorários de nossas histórias, porém, como o Deus das diversas culturas, não podemos domar o livre-arbítrio de nossos pupilos e filhos. A história fica mais crível quando assim é.

    Obrigado por mais esse texto Diego, e até a próxima.

    Gean Riwster

  2. Manoel Amaral 08/09/2012

    Gean,

    Estive nas Lojas Americanas e vi por lá vários livros do George R.R.Martins.
    Olha, como são caros os livros dele. Só olhei. O meu caixa não suporta
    livro de R$54,00 reais.
    Os que vendo, de minha autoria, não passam de R$20,00.

    Abraços
    Manoel

  3. Oi Gean
    Você já tentou endender as técnicas por trás da criação dos personagens que o George R. R. Martin? O que é que os torna tão intrigantes e misteriosos? O que faz com que você se interesse por eles?

  4. Gean Riwster 12/10/2012

    Oi Manoel

    Realmente, os livros do George R. R. Martin são caros pra dedéu, mas também cara, se já viu o tamanho dos bicho? É aqueles livros que você sai e mostra pros seus colegas e se exibe: “Sô massa, óia a disgrama de tanta página que tô lendo, óia. Sô leitor….”

    Mas compreendo em parte esse troço de caixa, e não sabia cara que tú escrevia. Me indica aí uns livro seu que eu vou dar uma olhada aê.

    Oi Diego

    Você já deve ter percebido que eu admiro muito esse escritor, até mesmo porque não é a primeira vez que cito ele em meus comentários.

    Já tentei entender sim cara. É como se ele pegasse uma folha separada e fizesse um manuscrito de todo o passado do personagem e as consequências dos atos que ele faz no livro. Sempre, mais tarde, ele libera o passado de alguns personagens e frequentemente esse passado é mais complexo do que aqueles que nós vemos direto, tipo:

    Os heróis “Perdeu a sua família” ( e agora tá matando mei mundo pra achar o responsável), os heróis tímidos (e agora é mais divertido que o Jim Carrey), os heróis “não sei de nada e sou adotado”(e agora é o pica das galáxia do novo mundo que descobriu)… e os vilão têm as mesmas histórias, só que com destinos diferentes.

    O do Martin foge de todos os padrões que conheço, porque ele consegue deixar a história bem mais acreditável e nem sei se é porque ele estuda muito ou praticou muito. Tentar parar para perceber os detalhes é complicado, porque você não consegue ver a técnica… pelo menos eu. Você já leu os livros dele Diego? Você vai me entender quando o ler (é muito detalhado, mas acho bom até isso)

    Eu estou no quarto livro. Agora que você me induziu a me aperceber desses detalhes, eu vou fazer isso.

    Vlw

    Gean Riwster

  5. Grata!
    Gostei do que li pois vem de encontro ao que sei sobre o assunto.
    As informações prestadas estão muito bem estruturadas e revelam-se de grande utilidade!
    Parabéns!

  6. Diego Schutt 15/04/2013

    Fico feliz em saber que você gostou do Ficção em Tópicos, Conceição. Obrigado pela mensagem.

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