Aprenda a criar realidades com palavras

Dica 93: Encontre o ritmo certo para a história.

Por Diego Schutt em 29/08/2012 Tópicos: dicas, técnicas
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Uma história é constituída por uma sequência de eventos e informações que tem como objetivo despertar certas sensações e emoções no leitor. Para provocar as reações desejadas, o escritor precisa conduzir o enredo como uma viagem de carro. Ele deve saber em que momentos acelerar a narrativa para chegar logo à próxima cena, diminuir a velocidade para que o leitor possa apreciar certas passagens, e parar completamente para chamar a atenção a certos detalhes. Essas escolhas resultarão no ritmo da história.

O ritmo não é uma decisão consciente tomada pelo escritor antes ou durante o processo de escrita. Ele é resultado da forma como o enredo é organizado. Você percebe que o ritmo da sua história pode ser melhorado quando relê o texto, e encontra trechos que parecem superficiais demais ou detalhados demais. Em ambos os casos, você precisa retrabalhar essas passagens, incluindo ou mantendo apenas o que for necessário para fazer o leitor reagir da forma desejada.

Se o problema não estiver na forma como você organiza e apresenta a história, preste atenção à extensão das frases, ao uso de pontos e vírgulas, e à forma como você organiza os parágrafos. Esses elementos também influenciam no ritmo de leitura.

Leia as dicas 1 à 50.

Leia as dicas 51 à 100.

Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Hong Kong. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

3 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Gean Riwster 05/09/2012

    Falou e disse.

    Acho que quando todos começam a escrever, ou ao menos quando eu comecei, fazia textos “pé na tábua”. Em um parágrafo eu estava procurando a jóia rara dos impérios faraónicos e no próximo parágrafo já tinha saído da máquina do tempo e estava matando duas múmias em cada suspiro. Certo, pode até parecer idiota e irreal para quem está lendo mas, sinceramente, achava meus textos até criativos e os amava de verdade, e acho que a ceguisse pros erros no começo é no mínimo incetivadora. Com o tempo e experiência, eu criei um tipo de birra com tais textos rápidos entretanto… sabe aquele momento em que você está detalhando uma cena mas que você mesmo tá entediado e quer logo que tenha ação, suspense, morte, SANGUE… mas você não pode… tem que esperar você terminar de dizer qual é a pintura das paredes, qual o tamanho e o aspecto do monstro para só depois, pensar em atacar feito doido.

    Agora que me debato novamente com um dos seus textos, eu começo a me questionar novamente sobre os meus valores de “textos legais”, pois talvez, só talvez, a recíproca seja verdadeira, ou seja, quando estou entediado descrevendo algo, pode ser que quando uma pessoa ler a descrição que fiz entediado também se sinta entediado. Tenho que refletir sobre isso.

    Ah, desculpe-me por não ter comentado antes, é que a última vez que vim tava com um problema de fontes na página se não me engano. Mas bem, obrigado mais uma vez Diego, e continue com esses textos questionantes.

    Gean Riwster

  2. Oi Gean
    Concordo com você que a falta de consciência dos erros que cometemos quando ainda estamos aprendendo serve como incentivo. Acho indispensável a gente gostar do que escreve, ainda que possamos reconhecer nossas limitações técnicas. É o desejo de melhorar ainda mais, de aperfeiçoar detalhes, e de compartilhar nossas histórias com outras pessoas, que nos faz buscar um entendimento mais profundo sobre como funciona a ficção.
    Sobre o que você comentou sobre se sentir entediado como algumas das suas descrições, eu sugiro que você repense que informações são realmente indispensáveis para história, e avalie em que momentos a melhor solução é deixar que o leitor imagine certos detalhes.
    sds
    Diego

  3. Vivianne Silva 26/04/2016

    Olá estou a pesquisar dicas e encontro esse que foi como achar o pote no fim do arco-íris, sem palavras foi de um a elucidação sem tamanho.
    A questão da pontuação me prende totalmente e essa dica foi certeira. Parabéns e obrigado.

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