Aprenda a criar realidades com palavras

Dica 89: Cuidado com o excesso de originalidade em suas histórias.

Por Diego Schutt em 18/07/2012 Tópicos: dicas
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Uma boa história pode surgir a partir de uma ideia clássica estruturada em um formato de enredo original, ou a partir de uma ideia original estruturada em um formato de enredo clássico.

Você pode, por exemplo, escrever a história de dois jovens que se apaixonam e tem que viver seu amor às escondidas porque suas famílias são inimigas (ideia clássica imortalizada por Romeu e Julieta), a partir dos pontos de vista dos porteiros dos prédios onde os jovens moram (uma forma original de estruturar o enredo desse modelo de história).

Ou você pode escrever a história de dois idosos que se apaixonam e tem que viver seu amor as escondidas porque suas enfermeiras são inimigas (uma ideia incomum), organizando a narrativa de uma forma parecida com a história de Romeu e Julieta (um formato clássico de estruturar uma história de amor).

Mas cuidado ao escrever histórias baseadas em uma ideia incomum e estruturar a narrativa de uma forma pouco usual. Encontre um equilíbrio entre originalidade e convenções. O leitor precisa de pontos de referência que lhe sejam familiares, ou ele terá trabalho dobrado para entender a mecânica e o conteúdo da sua história.

Leia as dicas 1 à 50.

Leia as dicas 51 à 100.

 

Sobre o Autor

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Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

5 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Gean Riwster 21/07/2012

    kkkkk Essa é a primeira vez que vejo alguém pedindo um pouco menos de originalidade nas histórias, mas a argumentação sua justificou bem seu ponto de vista.

    Idéias como a de Romeu e Julieta, como citada, foi uma idéia original na época, talvez surgindo como uma alegoria a realidade em que foi escrita… Nunca me aprofundei de fato, e seria até divertido escrever utilizando tal estrutura como um tipo de base e depois colocar idéias originais no desenvolvimento.

    O problema é que as pessoas geralmente almejam algo mais alto. Não querem criar estórias já feitas (mesmo sendo só estruturas), mas sim, um outro Romeu e Julieta da atualidade. Melhor dizendo: criar uma outra história de Romance completamente original que se tornará um novo clássico. Isso vai para os escritores experientes, que estão bastantes seguros de si.

    Os emergentes e novatos na área sempre fizeram o que você redigiu no texto, quase como instinto. Lembro de um colega que resumiu bem:

    “Não tem jeito! Tem que pegar uma história boa para pelo menos começar a escrever uma nova”.

    Ele disse isso pois estava começando a escrever algo imaginando em frente uma trilogia (um erro básico, dos novatos que querem cair de cabeça em algo que nunca fez antes. Inclusive o meu), sendo a idéia retirada do livro “Eu sou o Número Quatro”, e fazendo com um mínimo de seu ponto de vista, com a clássica estrutra do filho que perdeu um pai lendário e poderoso quando nasceu, e busca seu pai enquanto carrega seu legado, enfrentando outros inimigos pelo caminho.

    Resumindo-me: Escritores experientes se aventuram em histórias originais que retiram de sua vida subjetivamente, talvez, ou fazem os tipos de livros para “arrecadar dinheiro”, mas isso é outra história. E escritores novatos fazem histórias retiradas de estruturas já criadas, arriscando-se até de ser chamadas de “clichês” por escassez de material original de vez em quando.

    Enfim, sua dica é interessante na verdade. Talvez seja um dos meus erros que tenho que corrigir.

    Vlw

    Gean Riwster

  2. Oi Gean

    Usar a estrutura clássica de uma história é um ótimo exercício porque permite que você pratique o desenvolvimento de uma ideia original, sem ter que se preocupar na forma como você vai estruturar o enredo. É como assar um bolo em uma forma com um formato tradicional (redondo), mas usando uma receita original (bolo de tomate). Ou, como você leu na dica, criar uma estrutura original para contar uma história conhecida também é um exercício bacana. É como assar um bolo em uma forma com um formato original (formato de ventilador) com uma receita clássica (bolo de chocolate).

  3. Altmicks 24/11/2012

    Meus cumprimentos, adorei o site!

    Porém, tive que discordar um pouco dessa dica… Eu acredito que seja possível escrever um texto completamente inovador, tanto na ideia quanto na estrutura.

    Você já tentou alguma vez?

    Se já tentou e não conseguiu, tentou de novo?

    Eu acho que as coisas começam a ficar perigosas quando dizemos que algo é “impossível”. A arte é gostosa justamente por que ela nos dá essa possibilidade de viver sem limites. Não há impossibilidades na literatura. Não há “padrões”.

    Um dia eu espero poder provar isso. Mas, por enquanto, só posso dizer o que eu acho!

    Muito obrigado!

  4. Diego Schutt 25/11/2012

    Oi Lucas

    Você está absolutamente certo. Não há limites ou regras quando se trata de arte. Eu também acredito ser possível escrever um texto completamente inovador. Se você ler a dica novamente, vai reparar que eu não usei a palavra impossível.

    O ponto central dessa dica é reforçar a ideia de que é importante fornecer algumas referências ao leitor para facilitar seu envolvimento com a história.

    Minha sugestão para quem está começando a escrever é se concentrar em inovar ou na ideia, ou na estrutura . Acredito que isso facilita o processo, e diminui a ansiedade natural que criar uma história sempre traz.

    Você saberia citar algum livro ou filme que você gosta que inova na ideia e na estrutura?

    Obrigado pela mensagem e pela leitura.

    sds
    Diego

  5. ballah01 22/12/2014

    esta dica é mesmo sacana e verdadeira!
    por vezes inventa-se uma história tão estranha e nunca vista (original, talvez) mas como nunca ninguém viu (não tem os tais pontos de referência) ninguém liga para a história 🙂

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