A diferença crucial entre escrever livros e ser escritor.
Esta entrevista com o escritor português José Jorge Letria me fez pensar sobre uma pergunta crucial que todos que escrevem histórias de ficção devem se fazer:
Você quer escrever livros ou você quer ser escritor?
Sim, existe uma diferença muito grande entre um desejo e outro.
Se você quer escrever livros, você deseja ser um autor.
Você acredita que tem ideias interessantes, que podem resultar em boas histórias. Você acredita que algumas dessas histórias tem o potencial de despertar o interesse de um público grande o suficiente para atrair o interesse de uma editora. Sua maior meta é desenvolver a habilidade de manter o leitor interessado na sua história, da primeira linha até o último ponto final. Palavras são ferramentas para transmitir suas ideias e pensamentos.
Se você quer ser escritor, você deseja ser um pensador.
Você acredita que tem uma visão única sobre o mundo, que podem resultar em histórias que vão tocar a vida de outras pessoas. Você acredita que algumas dessas histórias têm o potencial de despertar mudanças reais na sociedade. Sua maior meta é desenvolver a habilidade de fazer o leitor sentir de verdade o drama dos seus personagens, da primeira linha até o último ponto final. Palavras são suas aliadas nos seus incansáveis esforços de dar sentido ao mundo.
Ainda está na dúvida se você quer escrever livros ou ser escritor? Então responda a essa pergunta: se você soubesse que nunca seria publicado, que ninguém além de algumas poucas pessoas leriam suas histórias, você as escreveria mesmo assim?
Se sua resposta é afirmativa, provavelmente você quer ser um escritor. Se sua resposta é negativa, grandes chances de que você está mais interessado em fama, reconhecimento ou dinheiro.
Se você decidir que quer ser escritor, abaixo estão 4 das dicas mais importantes que o José Jorge Letria dá nesse vídeo:
1. “Ser escritor é [...] um trabalho rigoroso e exigente. E que ninguém se convença que só por ter jeito ou habilidade consegue tornar-se escritor.”
2. “Raro é o dia em que eu não escreva. Com disciplina, com dedicação e com exigência. Só assim um autor pode conquistar o seu lugar e assumir-se também como um profissional daquilo que faz.”
3. “Escritor, como um músico, um pintor, como um coreógrafo [...] precisa de ter uma enorme dedicação, uma grande capacidade de entrega àquilo que escolheu para ser o seu trabalho.”
4. “Se quiserem ser escritores, escolham esse caminho sem hesitação, mas sempre com a convicção de que é preciso trabalhar muito para se merecer esse título.”
Assista a entrevista no vídeo abaixo.
E você, quer escrever livros ou ser escritor?




6 Comments
Renan Barcelos
09/03/2012Não sei se concordo com a definição de escritor que mostrou. Ou melhor, acho que falta algo nela. Talvez seja apenas uma opinião um pouco equivocada, ou meio egocêntrica, mas acho que escritor não é só aquele que quer passar todo o drama do seu personagem (o que é algo sublime), ou aquele que quer tocar a vida das pessoas (que é algo carregado de poesia), ou mesmo só aquele que quer trazer mudanças reais para a sociedade(que, nossa, é tão necessário hoje em dia).
Penso que ainda existe outro tipo de escritor.
Aquele escritor que é tão somente e simplesmente um contador de histórias. Talvez suas histórias não mostrem todo o drama que poderia mostrar, talvez não toque a vida das pessoas e muito provavelmente não vai mudar a sociedade, mas é uma história sincera, algo surgido de sua alma, que vibra a cada passo e se constrói com cada palavra redigida, mesmo aquelas sentenças que muitos dizem não serem necessárias. Um escritor que escreve com paixão pelo que faz, ou talvez por uma noção de dever que se impôs, por saber que existe algo a ser dito, um escritor que escreve porque uma coisa não sai nunca de sua cabeça: ele tem uma história para contar. E uma história que só ele pode contar, que nunca será vista por ninguém caso ele não sue, sangre e sofra por todos os seus dias para pesquisar, para entender, para escrever.
E no final, tudo o que ele quer é contar uma boa história, se esforçar para que o seu mundo, que existe apenas por sua concepção, seja bom o suficiente para ser ouvido. Por que ele tem uma história para contar.
E histórias existem para serem contadas.
Acho que também temos falta desse tipo de escritor.
Diego
15/03/2012Oi Renan
Entre esses dois extremos que apresentei no texto, acredito que existem outros tipos de escritores, como o que você comentou.
A diferença que eu quis enfatizar entre autor e escritor está na motivação principal de um e outro para escrever.
O autor de livros escreve por motivações externas.
O escritor escreve por motivações internas, que inclui do tipo de escritor que você citou.
Obrigado pelo seu comentário.
Diego
Marvson
17/03/2012Sobre o que Renan falou, acho que o que falta para esse tipo de escritor é um pouco de instrução. Tenho uma história única em minha cabeça faz tempo. Uma mitologia complexa e nova, como a grega e romana. Porém, enquanto tenho a história, não tenho um protagonista. Faz bastante tempo que tenho tentado desenvolver alguém, e além disso falta o principal: começo. Se eu começar um texto por alguma cena, não paro de escrever, mas o início…. Gostaria de ver algumas dicas mais concretas de como começar, mas não algo para prender algum suposto autor, algo somente para começar, se há alguma dica?
Diego
19/03/2012Oi Marvson.
Sugiro que você leia dois textos:
Por onde começar a escrever um texto e como transformar suas ideias em histórias?
17 técnicas para captar a atenção do leitor nas primeiras linhas da história.
Ambos sugerem técnicas práticas para começar a escrever uma história.
Espero que os textos ajudem.
Obrigado pela leitura.
att
Diego
Renan
19/03/2012Não sei se pode postar links para outros lugares, mas nesse site estão fazendo posts sobre criação de personagem também.
http://trapeixe.wordpress.com/
Diego
21/03/2012Oi Renan
Muito bons os seus textos sobre criação de personagens. Obrigado por compartilhar o link.
sds
Diego