Aprenda a criar realidades com palavras

Como uma conversa franca com seus personagens pode mudar o rumo da sua história?

Por Diego Schutt em 10/02/2011 Tópicos: técnicas
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Quem é você?

Essa simples pergunta exige que se olhe para o passado, para o presente e para o futuro – quem se foi, quem se é e quem se quer ser.

A resposta para essa pergunta traz revelações importantes e, as vezes, surpreendentes sobre a personalidade de alguém. Ela expõe o modo como as pessoas se veem. Há aqueles que se definem através de sua família, sua profissão, seus relacionamentos; outros se definem através de seus gostos pessoais, seus traços de caráter e seus ideais.

Responder à pergunta “quem é você?” revela, sobretudo, prioridades. Mostra que características e informações pessoais consideramos importantes para que alguém entenda quem somos. E é por esse motivo que você precisa fazer essa pergunta para todos os seus personagens.

Para que possamos trabalhar uma história em profundidade, é preciso que se analise o passado dos personagens e os temas relacionados ao evento que desencadeou a história.

Essa é a forma mais consistente de se escrever sobre o presente e elaborar o futuro desses personagens.

Se a história é sobre uma menina que ficou grávida por acidente, devemos investigar sua infância, a forma como foi criada, as influências familiares e sociais que ela teve. Paralelamente, também devemos pesquisar o tema gravidez na adolescência, possíveis causas e consequências, possíveis sintomas culturais e sociais que ajudem a entender esse tópico.

Entender o passado dos seus personagens:

  1. Valida e reforça suas escolhas técnicas e criativas.
  2. Faz você considerar e questionar suas decisões com mais consistência.
  3. Ajuda você a relembrar a base da sua história (personagem e tema).
  4. Auxilia no desbloqueio criativo, quando você não sabe como dar continuidade ao enredo.

Nem tudo precisa estar explícito no texto final que chegará ao leitor. Esse é apenas um exercício de criação para o escritor se familiarizar com os elementos chave de sua narrativa (personagens e tema) e poder desenvolver o enredo com mais propriedade.

A intenção principal desse exercício é a busca de um entendimento profundo sobre o que e quem estamos escrevendo. Isso resulta na ativação de uma maior liberdade criativa e inventiva, já que permite que nos concentremos no desenvolvimento da história ao invés de no entendimento da história.

Você já conversou intimamente com seus personagens?

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Texto inspirado pela palestra “Raízes profundas: olhando para o passado para que se possa olhar para o futuro.” por Annette Simmons, parte do Reinvention Summit, seminário online realizado no final de 2010 sobre a arte de contar histórias. Os diferentes convidados exploraram em suas apresentações diversos aspectos sobre a construção de narrativas e formas de engajar pessoas através de histórias que criem conexões e desenvolvam relações. Leia os resumos das principais ideias e insights de outras palestras do Reinvention Summit.

3 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Sou Rascunho 22/01/2013

    Era isso que estava buscando. Acho que sempre pensei nas personagens como pessoas, alguns são ‘amigos’ de ocasião outros insistem permanecer na cabeça pra sempre. rs

    Conversas com esses, eu num tinha pensado ainda, vou perguntar o pq não deixam minha cabeça em paz?
    hehe

    obrigado Diego!

  2. Diego Schutt 22/01/2013

    Alguns personagens me perseguem até que eu consiga encontrar as palavras certas para contar suas histórias. As vezes não há conversa que faça eles me deixaram em paz. 😉

  3. Diego Schutt 22/01/2013

    Alguns personagens me perseguem até que eu consiga encontrar as palavras certas para contar suas histórias. As vezes não há conversa que faça eles me deixarem em paz. 😉

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