Aprenda a criar realidades com palavras

NaNoWriMo: O que eu aprendi sobre ser escritor? | Por Bruno Cobbi

Por Diego Schutt em 24/01/2011 Tópicos: inspiração
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Nas minhas caminhadas digitais, acabei encontrando o bacaníssimo Aprendiz de Escritor, criado pelo Bruno Cobbi. O site está recheado de textos e discussões interessantes sobre as descobertas do autor sobre a arte de ser escritor.

No texto abaixo, o Bruno divide alguns aprendizados e reflexões após ter participado e concluído com sucesso o desafio do NaNoWriMo de escrever um livro de no mínimo 50 mil palavras em 30 dias.

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Contexto. Determinação. Disciplina.

Existem mil maneiras de escrever um livro. Mas só existe uma forma de exercitá-las.

Essa é a primeira lição que eu aprendi com o desafio: não existe escritor que não escreve.

A segunda lição é que existe um degrau enorme entre o mundo comum e o universo dos escritores profissionais. Nadadores profissionais nadam muito todo dia. Lutadores profissionais lutam muito todo dia. Corredores profissionais correm muito todo dia. Adivinhe o que é que você precisa fazer se quiser ser escritor profissional?

Terceira lição: obrigar-se a vomitar 1700 palavras/dia na mesma narrativa te fazem enxergar que não basta inspiração. Muitas vezes só te resta insistência. É essa mesma insistência que vai se transformar em “bloqueio criativo”, em “ausência de idéias” e, finalmente, em “falta de tempo”. É a lei de Darwin dos escritores. Talento conta muito e sorte mais ainda, entretanto, lá na base de todas as coisas, é a prática quem manda prender e manda soltar no mundo das letras.

Como não se tratava apenas de escrever qualquer coisa (precisava sair um livro no final), eu imaginei que uma estratégia ajudaria. Encontrei quilos googlando por aí, mas elegi as duas que foram mais fundamentais para partilhar com vocês. Esqueça os sites. Uma foi aprendida numa oficina (no curso do Nelson). Outra foi deduzida por mim. Na raça mesmo.

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Lição da oficina: Interligue cenas

Cenas chegam aos borbolhões. Livros, jogos, sonhos, filmes, quadrinhos, fotografias, desenhos, piadas, situações vividas por aí — quando eu me vi obrigado a escrever voragens de palavras todos os dias, tudo isso passou a virar matéria prima (bem prima mesmo) pra minha linha narrativa. Roubei almas, copiei descaradamente, exorcizei tabus, esquizofrenizei personagens, adaptei a vida à ficção (muitas coisas reais não ficam verossímeis na ficção, você vai se surpreender quando começar a notar) e um raciocínio básico, uma idéia tênue de começo, meio e fim ajudam um bocado.

Um bom exercício é: pense numa cena marcante sobre a qual você quer escrever. Agora escreva. Sem revisar. Só escreva mesmo. Pronto? Bom, isso provavelmente será o começo, meio ou fim de um capítulo. Ou mesmo do seu livro. A partir daí, desenvolva o mesmo raciocínio para todas as demais cenas. Escreva umas dez cenas por dia. No final da semana você vai ter que comprar um mural, uma lousa ou uma caixa de diazepam. Não compre nada disso, sente e escreva mais uma cena.

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Lição que eu deduzi: O show não pode parar

O mundo não vai parar pra te esperar ficar ansioso. Você precisa continuar. Não se deixe consumir pela ansiedade ou pela dó de si mesmo. Escreva. Escreva sobre a ansiedade. Escreva sobre não conseguir escrever. Determinada hora aquilo vai te dar uma luz. O texto escrito vai falar contigo. A estruturação de raciocínio que uma frase exige vai combater a ansiedade e a confusão — vai te dar respostas. Fale com quem estiver por perto. Escreva essas pessoas. Fale com seus demônios. Escreva eles. Ninguém vai escapar. Seja impiedoso.

Minha estratégia envolveu uma luta contra a ansiedade. Eu escolhi não contar as palavras até a última semana do desafio. Não aguentei. Na penúltima eu contei. Felizmente eu não estava assim tão longe, o que só me incentivou a continuar. Deu certo. A resposta é: não pare de escrever. O show tem que continuar. Por causa disso, não vou parar em duas lições.

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Lição extra: Esqueça o pé na jaca, enfie a cabeça mesmo

Você precisa de amigos escritores. Você precisa de revistas de escritores. Você precisa de sites de escritores. Você precisa de uma namorada de escritor. Até de mãe você precisa trocar se a sua não for uma mãe de escritor.

Estar imerso num universo de escritor faz TODA a diferença. Ter apoio é fundamental. Minha noiva está deitada sozinha ao meu lado desde as três da manhã (e já são quase sete). Ela é muito compreensiva com a minha maldição profissão. Meus amigos sabem que eu recuso baladas pra ficar escrevendo. Eles sabem que eu páro no meio das baladas pra escrever (ou descrever) coisas no celular. Eles já se acostumaram. Eles zoam incentivam. Alguns até me contam coisas bizarras na esperança que isso vire literatura.

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Ignorando desculpas e administrando minha ansiedade e perfeccionismo, eu também consegui escrever um livro em apenas quatro semanas. Confira o mini diário que escrevi durante o processo e os aprendizados ao final da experiência.

A Sara Farinha, leitora e membra da comunidade do Ficção em tópicos no Facebook, também aceitou o desafio. Confira como foi a experiência de escrever um livro em um mês para ela.

4 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Bruno Cobbi 27/01/2011

    Olá Diego,

    Muito honrado pela visita ao Aprendiz, pela elegante indicação, por todos elogios e, principalmente, pela participação incidental aqui no Ficção.

    Agora deixa eu ir que isso me deu uma tremenda idéia pra escrever mais uma cena. 🙂

  2. Bruno Gandin 28/01/2011

    Adorei! O blog sempre com indicações perfeitas. Parabéns ao meu chará, Bruno e ao Diego pela postagem.

  3. Diego 30/01/2011

    Oi Bruno.
    Obrigado a você por me permitir compartilhar o seu texto aqui no Ficção em tópicos. Espero que, juntos, a gente consiga motivar mais pessoas a participar do desafio de escrever um livro em 30 dias esse ano. abs

  4. Diego 30/01/2011

    Oi Bruno. Obrigado pela visita. Entre e fique a vontade.

Gostou do texto? O autor vai adorar saber. Deixe um comentário e compartilhe o artigo com outros escritores.

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