Aprenda a criar realidades com palavras

Dica 38: Não reproduza a realidade nas suas histórias.

Por Diego Schutt em 15/10/2010 Tópicos: dicas
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Ao narrar uma experiência pessoal, é comum que você inclua, exclua ou até mesmo altere certos acontecimentos e detalhes que ocorreram. Você faz isso porque quer se certificar que seus ouvintes reagirão a sua história da forma que você deseja. É o famoso “quem conta um conto aumenta um ponto”.

Ao escrever histórias de ficção, você deve fazer exatamente isso: narrar acontecimentos tendo como principal objetivo provocar no leitor as reações que você deseja. Não tente reproduzir com fidelidade nos seus textos como os eventos aconteceriam de verdade.

O mundo real está cheio de momentos repetitivos e sem sentido, que não acrescentam nada ao mundo ficcional. Histórias são espaços para escritores construírem as suas próprias verdades, não meras imitações da realidade.

Leia as dicas 1 à 50.

Leia as dicas 51 à 100.

Sobre o Autor

Diego SchuttLer todos os textos de Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 7 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

6 escritores têm algo a dizer sobre este texto

  1. Roña 11/12/2011

    Olha, pra mim a realidade pura não é interessante nem um pouquinho. Penso que quando uma pessoa procura um livro, ela tende a querer fugir da realidade, e quando ela novamente a encontra fica um tanto decepcionada.
    Eu sempre tento ler coisas que se diferencia muito da realidade. E nem precisam ser livros místicos ou científicos. Apenas espero que preguem algo muito além do cotidiano.

  2. Diego 16/12/2011

    Oi Roña. Um ponto a se considerar é que a realidade de cada pessoa é diferente. Por isso, acredito que quando alguém diz que busca na literatura uma fuga da realidade, essa pessoa na verdade está em busca de um refúgio da sua própria realidade, do que é comum e quotidiano para ela.

    Eu gosto muito da visão do Robert McKee sobre esse tema de realidade e ficção. Ele diz que realidade é apenas o que acontece, são fatos observáveis, neutros. Somos nós que atribuímos significados à nossa realidade.

    Quando escrevemos, nós criamos uma realidade ficcional que, no contexto da história, vai dar significado aos fatos apresentados. Ainda que a gente busque ler histórias que apresentem acontecimentos diferentes do nosso quotidiano, acredito que desejamos encontrar os mesmos significados que criamos para dar sentido à nossa realidade.

    Obrigado pelo teu comentário.

  3. Laila 27/03/2013

    Interessante o artigo, porem ainda tenho uma dúvida. O livro que pretendo escrever é sobre uma garota que, devido a alguns motivos acaba indo parar em uma outra dimensão chamada plano etério, só que há um problema. Eu andei pesquisando sobre esse tal plano etério, e segundo os espíritas, é um lugar onde apenas residem “criaturas” e espíritos bons, e isso não se encaixa no meu contexto, então eu gostaria de saber se eu poderia dar um aspecto mais sinistro a esse plano e mater o nome de plano etério mesmo ou se eu precisaria inventar minha própria dimensão, para poder dar a ela as características que desejo.
    Fico no aguardo da resposta.
    Obrigada.

  4. Diego Schutt 02/04/2013

    Oi Laila

    Acredito que a pergunta mais importante aqui é: por que você quer usar especificamente o nome plano etério? Tenha em mente que se os leitores da sua história forem espíritas, eles inevitavelmente vão associar plano etério ao “lugar onde apenas residem criaturas e espíritos bons”. Se seu objetivo é questionar esta crença, manter esse nome é uma boa estratégia. Não existem regras sobre o que se pode ou não se pode fazer, contanto que você faça suas escolhas com consciência da reação que está tentando provocar no leitor. Obrigado pelo comentário.

  5. Alphonsus 17/09/2013

    Olá, pessoal.
    Essa dica me intrigou muito: “Não reproduza a realidade nas suas histórias.”
    De tanto me pedirem, eu comecei a escrever um livro que conta um relacionamento que eu tive – Ele mais parece um “Romance-autobiográfico”. Essas pessoas que me pediram são pessoas que conviveram ao redor da história, acharam uma bonita história e tal. No livro eu sou o Narrador-personagem, começo descrevendo o que acontece no mês de Fevereiro de 2011, descrevo também os cenários, personagens… mas o foco principal é a partir de Agosto de 2011, quando conheço a minha ex-namorada e a história toma outro rumo, minha vida e a dela mudam totalmente, mas até passar de Fevereiro para Agosto, acontece muitas coisas, tanto comigo quanto com ela. A minha dúvida é se conseguirei conquistar a atração dos leitores nos primeiros parágrafos, já que é uma história totalmente real, com cenários e personagens reais e é uma história recente e sou muito detalhista. É uma história que ainda não tem fim, o que acontece comigo e com minha ex vou escrevendo com o passar dos anos. A partir desse livro eu falo de minha vida pessoal e dela também, da realidade ao nosso redor… Resumindo: É a história de um namoro escondido entre dois adolescentes de 16 anos que se conheceram no colégio e juntos vão passar por muitas coisas boas e ruins.

    Se puderem me ajudar de qualquer forma, agradeço desde já. Escrever esse livro e me casar com minha ex-namorada será a realização, não só de um sonho, mas de minha vida também! Kkkkkkkkkkkkk! 😀

  6. Wagner 13/10/2016

    Oi,

    Não reproduzir a realidade… Muita boa essa!
    Muito obrigado pelas dicas.

    Parabéns aos administradores do site.

    Abraço.

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