Escreva para expressar, não para impressionar.

Como escrever com fluência e espontaneidade

Não seria fantástico se, quando sentasse para escrever, você pudesse esquecer suas preocupações, planos e ambições, desligar completamente seu senso crítico e usar todo o seu conhecimento técnico intuitivamente?

Segundo o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, isso é possível quando você entra em flow, um estado mental que desencadeia um fluxo espontâneo de energia criativa, desconectada de esforços racionais e totalmente focada no que está acontecendo aqui e agora.

Quando em flow, sua mente bloqueia pensamentos sobre o passado e considerações sobre o futuro, focando o corpo e a mente no processo de criação acontecendo no presente.

Para entrar em estado de flow durante suas sessões de escrita, é preciso:

1. Ter domínio técnico

Quanto mais confiante você estiver em relação a suas habilidades para escrever, mais focada sua mente estará em gerar ideias para desenvolver a história, ao invés de questionar sua capacidade para realizar a atividade.

2. Definir um objetivo

Quando você decide o que vai escrever antes de começar uma sessão de escrita (apresentar um personagem, desenvolver um ponto do conflito, descrever um cenário, escrever um diálogo ou simplesmente dar vazão ao que está sentindo), você direciona toda a sua energia criativa para realizar essa tarefa.

3. Eliminar o medo de falhar

Quanto mais expectativas você cria em relação aos resultados de uma sessão de escrita, mais difícil se torna controlar sua autocrítica. Se concentre apenas em fazer a sua parte, desenvolvendo o hábito de escrever e praticando o ofício do escritor.

4. Manter a mente e o corpo relaxados

Para relaxar sua mente, aprenda a calar aquela voz interna que fica julgando cada palavra que você escreve em tempo real. Para relaxar seu corpo, escolha um ambiente confortável, livre de interrupções e distrações, e mantenha uma postura neutra, nem tão relaxada e nem tão tensa.

5. Sair da sua zona de conforto

Se você quer se tornar um escritor mais produtivo, precisa constantemente criar desafios que permitam a você experimentar formas variadas de escrever, mas que não sejam difíceis demais, ao ponto de frustá-lo e desmotivá-lo.

 

Quando você entra em estado de flow, não está pensando no que escrever ou em como escrever. Você não está nem mesmo se esforçando para escrever. Apesar de estar alerta e consciente, sua mente ultrapassa a barreira do pensamento e se deixa levar por sua intuição e suas habilidades. Você ganha acesso a partes do seu inconsciente, para de limitar seus pensamentos a julgar e desenvolver suas ideias como elas são, e começa a imaginar como elas podem ser.

E você, já escreveu em estado de flow? Deixe um comentário contando sua experiência.

Para explorar em mais profundidade o estado de flow, assista a esse vídeo do TED. Áudio original em inglês, legendas em português. Outro vídeo interessante sobre o assunto neste link: http://bigthink.com/videos/jamie-wheal-on-ecstatic-brains

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About the Author

Diego SchuttView all posts by Diego Schutt
Diego Schutt combina ideias de teoria literária, dramaturgia e psicologia social para ajudar escritores iniciantes e experientes a desenvolver textos com mais confiança, foco e impacto. Sua formação técnica em escrita criativa inclui cursos e oficinas no Brasil, Austrália, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Japão. Há 8 anos, ele escreve e edita o Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre storytelling em Português.

5 Comments

  1. Karla 23/01/2013

    Muito interessante o tal de “flow”. O meu problema é que sempre que sinto essa espontaneidade penso que minha história não vai dar certo. Meu medo é as pessoas descobrirem coisas sobre mim, coisas que passo através dos meus textos. Me sinto impelida por isso. Tenho muita vontade de escrever, mas sempre que começo coloco um pouco das minhas experiências no roteiro, sem querer. Sei que escrever parte justamente das experiências do autor. Já pensei em usar pseudônimo, mas não quero isso, quero usar meu nome nas coisas que faço e arcar com as consequências delas, e por incrível que pareça, tenho medo é dessas consequências.
    Desculpe o desabafo….

  2. Diego Schutt 24/01/2013

    Oi Karla

    Esse medo de as pessoas descobrirem coisas sobre você é bem comum. Sempre que escrevemos uma história, criamos um mundo que funciona exatamente da forma que desejamos. Decidimos quem é heroi, quem é vilão, quem vai ser feliz, quem vai ser triste. Nesse exercício, expomos como vemos o mundo.

    Eu acredito que os medos que você tem receio de compartilhar são as fontes de inspiração para as histórias mais envolventes. Sempre existem outras pessoas que tem os mesmos receios e dificuldades que você. Quando elas encontram alguém que consegue expressar e dar sentido a eles através de palavras, é aí que a mágica acontece. A história deixa de ser apenas ficção, e passa a ajudar as pessoas a entender melhor suas realidades. E desse tipo de consequência você não precisa ter medo.

    Coragem, Karla.

    Obrigado pelo desabafo e pela leitura.
    sds
    Diego

  3. Andréia Zeppelin Goes 03/01/2015

    Adorei ….muito bom. Gostei !!!

  4. Amauri 22/02/2018

    Super interessante isso! Acredito que exista escritores dispostos a compartilharem essa ferramenta com os outros. É possível modelar esse estado e “instalar” através de técnicas de PNL como a Ancoragem! Esse trabalho foi realizado com Walt Disney pelo especialista Robert Dilts, o modelo se chama “estratégia Disney”. Consiste em identificar 3 estados distintos, sonhador, realizador e crítico. O estado Flow seria o Sonhador, em outro momento, entraria em ação o realizador e depois o crítico. A intenção desse método é trabalhar cada um separadamente, pois os enroscos acontecem quando um estado entra em conflito com o outro. Pesquisem por ” estratégia da genialidade”, são 3 livros onde esse autor expõe estudos sobre os maiores gênios da história!

  5. Mateus Lima 22/02/2018

    Entrar nesse estado é como alcançar o nirvana! Me sinto fluindo através dos meus dedos, ou da caneta, mas o teclado é o que mais permite acompanhar meu fluxo eufórico. Me inspiro muito em Jack Kerouac nesses momentos. Adorei o texto!

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